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Ypiranga 100 anos – Histórias e curiosidades do glorioso de Palmeira

Há 100 anos o Ypiranga Futebol Clube foi fundado na cidade de Palmeira, interior do Paraná. O clube centenário é um dos mais antigos no cenário estadual e nacional do futebol amador. Repleto de conquistas ao longo de toda a história, o alvirrubro ganhou o apelido de “Glorioso’’ pelos torcedores e é orgulho da população da cidade. Confira a trajetória e curiosidades deste período do Ypiranga, que marca o futebol amador paranaense com mais um clube centenário.

#AMADOR PG

Por João Paulo Pacheco

FUNDAÇÃO - O clube foi fundado após meses de conversas entre apaixonados por futebol da cidade que tiveram a ideia de criar um time. No dia 6 de agosto de 1920, um grupo com cerca de 53 pessoas fundaram o inicialmente Ipiranga Foot Ball Clube.  A primeira ata de reunião entre os fundadores do clube está registrada no dia 8 de agosto do mesmo ano. As reuniões aconteceram onde se encontra, nos dias atuais, o Hospital de Caridade, na Cidade Clima. A mudança de local da equipe, aconteceu após a doação de um terreno do Prefeito Sr. Domingos Theodorico de Freitas. Este local foi na rua Coronel Ottoni Ferreira Maciel, onde, até os dias atuais, é o local da sede ypiranguista.

Mesmo com a ideia fundada, ainda faltava um time que disputasse as partidas de futebol. As discussões para arrumar o escrete foram longas, tanto que demoraram semanas para chegar em um consenso. Após tanta discussão para montar a equipe, apenas em dezembro de 1920 a decisão teve um desfecho. Na primeira partida do clube, em um amistoso contra a equipe do Porto Amazonas, realizada onde hoje é o atual Estádio João Chede, o escrete ypiranguista foi a campo com: Ignácio Cupinski Bach; Pedro Schon, Orácio Teixeira, Alff Bach, José Vida; Henrique Margraf, João Pizzoni, Ephiphano Vida, Augusto Henrique, Germano Jenrich, Pedro Albuquerque e Alfredo Teixeira. Os registros não informam o resultado da partida.


Um detalhe curioso desta partida foi a festa de inauguração proporcionada pelos diretores. A comemoração foi realizada graças a arrecadação dos diretores durante as semanas anteriores que saíram pela cidade em busca de dinheiro. Foi então, que arrecadaram noventa mil réis e duas caixas de cerveja. Assim, foi feita a primeira comemoração nos arredores do João Chede, primeira de muitas. No dia do amistoso foi apresentado oficialmente os primeiros uniformes da equipe. A tradicional camisa um, nas cores vermelha e branca, é mantida até hoje. A curiosidade é o segundo uniforme, nas cores verde e branco. Cores que alguns anos depois viria a ser de um dos maiores rivais do Ypiranga, o extinto clube Nacional.

O ESTÁDIO - As discussões para a mudança da terraplanagem do campo de futebol iniciaram-se em 1926. Neste mesmo período é colocado em pauta pelos diretores a construção de um pavilhão para que novos torcedores pudessem assistir aos jogos, além de um melhor espaço para realizar as reuniões da diretoria e sócios. A ideia inicial da mudança, na praça esportiva, começou a ser fundamentada apenas dois anos depois. Em 1928, os dirigentes ypiranguistas discutem e aprovam a pauta que consolidaria o projeto. Assim, João Chede, presidente do clube, consegue idealizar o projeto do estádio e, por ser uma pessoa de grande influência, consegue um empréstimo junto aos bancos para a construção da sede social e pavilhão.

Apesar da facilidade em conseguir o dinheiro do empréstimo, a construção foi iniciada apenas em outubro de 1929. Neste período, foram construídos dois alicerces da arquibancada e uma parte da escada. Após isto, outro empréstimo precisou ser realizado, pois o dinheiro não foi suficiente para o todo. A construção do pavilhão de madeira foi feita através de uma licitação e o vigamento utilizado havia sido adquirido pelo clube de empresas da cidade. O valor total da praça esportiva ficou no total de dez conto e quinhentos mil réis, pago em duas parcelas. Esta obra realizada é o que vemos até os dias atuais, construída totalmente de madeira, comportando, aproximadamente, 400 pessoas. A inauguração oficial da nova praça esportiva e casa dos ypiranguistas, aconteceu em abril de 1930. O convidado para o amistoso, realizado na estreia do novo complexo foi o Operário Ferroviário. O estádio leva o nome do idealizador do projeto, João Chede, um dos maiores nomes que passou na história do clube.

TÍTULOS - A história ypiranguista já tinha 36 anos de existência e evidentemente, títulos conquistados. Mas, conquistas em torneios de menor relevância dentro do cenário local e estadual. Pelo pouco desenvolvimento do futebol amador em Palmeira o clube optava por disputar a Liga de Futebol de Campo Largo, mas isto mudou em 1956. Naquele ano, por iniciativa do Ypiranga foi criada a Liga de Futebol Regional de Palmeira. Consequentemente, as equipes da cidade foram chamadas para participar do campeonato. Em 1957 aconteceu o primeiro campeonato da Liga de Palmeira e o primeiro grande título da história alvirrubra.

As finais deste campeonato colocaram frente a frente dois grandes rivais, o Ypiranga e a equipe da Associação Atlética Palmeira. O Glorioso ganhou as duas partidas pelos placaras de 2 a 1 e 3 a 1, respectivamente. O esquadrão alvirrubro foi pentacampeão da Liga de Palmeira, no período de 1957 até 1961. Durante estes anos, um dos grandes ídolos da torcida foi formado. João Hoffman, mais conhecido como João Grande, marcou mais de 100 gols durante este período, sendo titular em todos estes anos. Ao todo, o Ypiranga conquistou 17 títulos da Liga de Palmeira, consolidando-se como o maior vencedor do torneio. Atualmente, este campeonato não é mais realizado.

Em 1964, a Liga de Palmeira encerrava as atividades e o cenário do futebol em Palmeira acontecia apenas com amistosos. Dois anos depois, em 1966, aconteceu a retomada da Liga, sob uma nova direção. De 1961 até o ano de 1976, a equipe do Ypiranga passou por um jejum de títulos da Liga. Foram 15 anos sem conquistar o torneio, mas isto mudou em 76. A rivalidade entre os clubes na Cidade Clima estava acirrada entre o alvirrubro, a equipe do Palmeira e o Nacional, e foi em um “YPINAL’’ que a seca ypiranguista acabou. A decisão aconteceu na fórmula, popularmente conhecida, como “melhor de três’’. A primeira partida ficou no 0 a 0, a segunda com vitória ypiranguista por 2 a 1 e a decisão, novamente, um empate. Mas desta vez em 1 a 1. Após a partida, a festa da torcida tomou conta da cidade, em uma das maiores comemorações pela conquista da Liga.

Após ter conquistado o cenário local e ser uma equipe conhecida entre os clubes da região, faltava concretizar o nome entre os grandes clubes amadores do Paraná. Essa pressão aumentou quando em 1992, um dos grandes rivais do Ypiranga, conquistou a Taça Paraná. A Associação Atlética Palmeira foi campeã e a rivalidade entre os dois aumentou. Três anos depois, a diretoria ypiranguista toma novas decisões sobre o comando técnico e Cláudio Kapp assume a presidência e a “prancheta’’ da equipe, montando o esquadrão ideal para a temporada. Em 1995, o ano começou com mais um título da Liga de Palmeira e ali a base foi formada para um desafio maior, a disputa da Taça Paraná. Com um plantel recheado de crias ypiranguistas, a equipe foi unida dentro e fora de campo. A primeira fase foi marcada pelos jogos contra o Scheifer de Ponta Grossa, S.E.Lagoa de Antônio Olinto e o Clube Atlético São Mateuense.  Nesta fase inicial do certame, o esquadrão de Cláudio Kapp marcou 18 gols e sofreu apenas quatro, em seis partidas disputadas.

Na fase de mata-mata, o plantel estava entrosado para a disputa das partidas de oitavas-de-final. O adversário da vez era o Grêmio Madeirite de Guarapuava. A primeira partida terminou com o placar de 1 a 1 no João Chede e o jogo da volta, no centro-oeste do estado, ficou em 4 a 2 para a equipe alvirrubra, classificando-se para próxima fase. Nas quartas-de-final o Glorioso passou pelo Califórnia, com o agregado de 4 a 1. Na sequência, o Ypiranga não se intimidou contra o Bocaiuvense. Em dois jogos repletos de gols, o Ypiranga passa no agregado com o placar de 7 a 3 e chega na sonhada final. A equipe adversária nestes dois últimos jogos foi o Real, da cidade de Realeza. No primeiro jogo, disputado fora de casa, o Ypiranga conheceu a primeira derrota no certame, quando sofreu o revés de 2 a 0. Assim, a equipe teria que vencer no João Chede, pelo placar que fosse, pois no regulamento não constava saldo de gols. Para conquistar o título, a vitória era essencial para levar a partida para prorrogação. O lema estampado no pavilhão vermelho e branco precisava motivar os jogadores, e assim, o desanimo não venceu as dificuldades. Com 2 a 1 na etapa regulamentar, a partida foi para prorrogação e nos últimos 30 minutos que restavam, a história foi escrita.

Debaixo de uma chuva intensa, as duas equipes não diminuíam o ritmo de jogo, mesmo com a exaustão de todo o campeonato. Aproveitando o apoio da torcida e a facilidade em jogar na chuva, pois o certame todo a equipe disputou partidas, que por coincidência, estava chovendo. O Ypiranga fez o gol do título com os pés do atacante Edson Breda, popularmente conhecido como “Kinn’’. A festa das arquibancadas tomou conta da cidade e a noite foi de festa nos arredores do João Chede, finalmente o alvirrubro era campeão da Taça Paraná. 

Quinze anos depois de conquistar o estado, mais um grande título na história do clube estava por vir. Em janeiro de 2000, o Ypiranga recebe o convite da Federação Paranaense de Futebol para disputar a primeira Copa Interclubes. A diretoria aceitou o desafio e se propôs em fazer um bom trabalho. Ao todo, 16 equipes disputaram o certame, divididos em quatro grupos, classificando-se para a segunda fase os dois melhores de cada grupo. A equipe alvirrubra ficou no grupo 4 e classificou-se em primeiro lugar com 16 pontos. Na segunda fase, a primeira derrota veio no jogo de ida das quartas-de-final, quando perdeu para o Urano pelo placar de 3 a 2. Na partida decisiva, dentro do João Chede, o placar terminou em 2 a 0 para o Glorioso e na prorrogação garantiu a classificação vencendo por 1 a 0. Nas partidas de semifinal, o adversário era o Colombo. As partidas terminaram com o agregado de 3 a 1 para o plantel ypiranguista, conquistando a vaga para a final. 

O União Capão Raso seria o adversário nas duas decisões, a primeira partida foi disputada em Palmeira e o jogo decisivo em Curitiba. Com o Estádio João Chede lotado pelos torcedores alvirrubros, a festa de recebimento da equipe foi inesquecível. A motivação das arquibancadas refletiu em campo e a partida terminou em 5 a 2 para o Glorioso.  No dia 20 de maio de 2000, a equipe decidiu o campeonato na capital paranaense e garantiu o título com um empate de 1 a 1. Oo gol marcado, que garantiriu o título, foi do atual técnico da equipe, Júlio César Vida, mais conhecido como Duío. Segundo informações relatadas por torcedores à equipe DRAP, este título foi o mais importante da história do clube. A comoção dos torcedores, jogadores e diretoria jamais foi vista na cidade e é um marco histórico para quem prestigiou o primeiro campeão da Copa Interclubes. 

A boa fase da equipe continuou nos dois anos seguintes, quando o clube foi campeão inédito e de forma consecutiva da Liga de Futebol de Campo Largo, nos anos de 2001 e 2002. Mesmo com toda a trajetória dentro do estado, a equipe ypiranguista manteve a gana por títulos, mas passou por uma fase sem conquistas relativas. O escrete alvirrubro voltou a conquistar um título importante em 2019, quando faturou o Campeonato Amador de Ponta Grossa de maneira invicta. 

TORCIDA - Com o clube consolidado dentro do cenário amador do Paraná, em todas as conquistas o diferencial da equipe fora de campo foi a torcida. Os aficionados do Ypiranga sempre acompanharam a equipe nas partidas dentro do João Chede e também em outras cidades. A equipe de reportagem do DRAP, reuniu nesta matéria o relato de dois torcedores apaixonados pela equipe. Relatos de duas gerações diferentes que mostram os motivos de um dos cânticos da torcida entoar no estádio as seguintes palavras: “o Ypiranga não morreu e nem morrerá’’. 

Com emoção, a torcedora ilustre, 78, Maria Magdalena Calaça, conta sobre a importância do clube na vida dela. “Eu nasci ypiranguista e sempre pude acompanhar o clube, desde pequena. Foram inúmeras histórias até os dias de hoje e todas me lembro com lágrima nos olhos, pois tudo que fiz pelo Ypiranga representa muita coisa na minha vida’’. A torcedora relembra os feitos que promoveu nas arquibancadas em prol do alvirrubro. “Criei o Grêmio Feminino Ypiranguista em 1985. Junto com outras mulheres, arrecadávamos dinheiros pra viagens e poder acompanhar o clube em todas as partidas fora de Palmeira’’. 

Ao ser questionada sobre a melhor lembrança em todos estes anos como torcedora, Magdalena relembra com felicidade da Taça Paraná. “Aquela conquista foi inesquecível, o que fizemos nas arquibancadas em todos os jogos foi sem explicação e é a lembrança mais feliz que tenho como torcedora e amante do futebol’’. Atualmente, a ilustre torcedora ainda acompanha o clube em jogos no João Chede e é recebida com respeito e admiração por outros torcedores e diretores do clube. 

O fundador da Torcida Jovem Ypiranguista, Odilon Junior, 24, é um dos novos torcedores da geração recente do clube. A iniciativa de criar uma torcida organiza foi em 2019, após o torcedor acompanhar a equipe nos campeonatos da Liga de Ponta e de Campo Largo. Odilon acredita que a nova geração será o futuro do clube, não apenas nas arquibancadas. “Acredito neste projeto ambicioso de montar um time competitivo deste a base, para conseguirmos uma equipe forte na disputa do amador de Ponta Grossa, do campo-larguense e enfim disputar a Taça Paraná novamente’’. 

Com uma equipe forte nos gramados, o apaixonado torcedor confia na força da torcida alvirrubra. “Com nossa torcida crescendo cada vez mais, comparecendo nos jogos dentro e fora de casa, iremos fazer do Ypiranga uma equipe cada vez maior e mais forte’’, reitera o torcedor. 

COMEMORAÇÕES - Devido à pandemia do COVID-19, as comemorações do centenário tiveram que ser mudadas. O tradicional “Baile Vermelho e Branco’’ comemorado nos aniversários do clube, não pode ser realizado. Mas, a diretoria ypiranguista tomou algumas ações para que não deixassem esta data passar batido. A venda de novos produtos, com a marca “Centenário’’, atraíram a atenção dos torcedores que apoiaram o clube e adquiriram canecos, copos, pratos e chaveiros comemorativos. Em abril, a diretoria também teve a iniciativa de confeccionar máscaras com o emblema do clube.  Neste mês, o clube finalizou algumas mudanças também no pavilhão. A iluminação foi renovada, junto com a realização de uma nova pintura nas arquibancadas, renovando a estética do Estádio João Chede. Nos próximos dias, o clube irá anunciar a venda de duas novas camisetas comemorativas.       

Segundo informações do presidente Adrissano Santos, na manhã desta quinta-feira (6), o clube realizou o hasteamento das bandeiras do clube, do Paraná e do Brasil e deixou a sala de troféus aberta ao público para visitação. “Todas essas medidas foram feitas com os cuidados necessários. Nossa vontade era de fazer mais coisas, mas infelizmente não temos como, devido a pandemia’’, enfatiza o presidente. 

- As informações retiradas para esta reportagem foram encontradas no livro ‘’Ypiranga Futebol Clube: 80 anos de glórias’’ de Luiz Gastão Gummy.  

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