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[AMADOR CWB] Urano, o Azulão da Vila São Pedro, completa 52 anos de história

Foto: Comunicação Urano

No dia 20 de agosto de 1968, surgiu no bairro Xaxim a Associação Clube Esportivo Urano, o Azulão da Vila São Pedro. Tendo no estádio Manecão a sua fortaleza e na sala de troféus o seu maior orgulho, a tradicional equipe da zona sul de Curitiba busca voltar para a elite do futebol amador curitibano após um licenciamento em 2016. Nessa data especial, conversamos com personagens históricos, do passado e do presente, que fizeram e fazem o Urano ser a grande equipe que é até hoje.

#AMADOR CWB

Por Eduardo Werner

Oficialmente fundado em agosto de 1968, a história do Urano não começa aí: o clube foi formado a partir do Brasilzinho, outra equipe Vila São Pedro, que foi fundada sete anos antes. O clube azul-celeste, que chegou a participar da Liga de São José dos Pinhais durante alguns dos primeiros anos de sua história, decidiu se filiar à Federação Paranaense de Futebol (FPF) e competir nas ligas federadas na década de 1990. Logo em sua primeira participação na Série B da Suburbana, em 1994, a equipe se sagrou campeã de forma invicta e garantiu o acesso para a elite do futebol amador curitibano, da qual participou de forma ininterrupta por 21 anos. 

O clube se fortaleceu no fim dos anos 1990, se preparando para a grandiosa década que estava por vir. Seu primeiro título da Série A da Suburbana chegou em 2001, com confrontos emocionantes na fase de mata-mata. Nas quartas de final o Azulão enfrentou a equipe do Vila Fanny, campeã da elite no ano anterior e que viria a vencer o torneio novamente em 2002. Na partida de ida o Fanny venceu por 2 a 1, mas na volta o Urano conseguiu o triunfo por 3 a 1 com direito a um golaço de bicicleta de Marquinhos. Já na semifinal o adversário foi o poderoso Trieste, e o Urano novamente teve uma parada difícil: empate por 2 a 2 na ida e vitória por 3 a 2 na segunda partida, garantindo a classificação para a finalíssima, a primeira da história do clube. 

Na grande final o Urano viria a enfrentar o fortíssimo Combate Barreirinha, que dominava o futebol amador curitibano e paranaense na virada do século. Por ter tido a melhor campanha, o Azulão teve a vantagem de dois empates e também do mando de campo da segunda partida da final. No jogo de ida, na casa do Combate, as equipes não balançaram a rede. No sábado seguinte, no Estádio Manoel Garcia de Andrade, o empate por 1 a 1 garantiu o primeiro título da história do Urano na Série A da Suburbana! O elenco campeão foi formado por Paulo Henrique, Tivico, Hector, Léo, Luiz Fernando, Renê, Marcelo Paranaguá, Marquinhos, Marcelo Gomes, Laguna, Cigano, Charles, Lalo, Robson, Carlinhos, Pelezinho e Cléber. 


Em 2002 a equipe do Urano terminou a Suburbana Série A na terceira colocação e, no ano seguinte, voltou a enfrentar o Combate Barreirinha na grande final do campeonato, tanto na categoria adulta como nos juniores. O título não veio com os adultos, mas na categoria júnior quem saiu campeão foi o Urano, vencendo o Combate em pleno Recanto Tricolor. A próxima boa campanha da equipe foi em 2007, sob o comando do treinador uruguaio Jorge Martinez, ex-jogador do Coritiba e da seleção uruguaia. Eliminação nas semifinais para o Capão Raso. 

A glória voltaria ao bairro Xaxim no ano seguinte, em 2008, com a chegada do treinador Ary Marques. “A mesma filosofia de trabalho que a gente tinha no Paraná Clube, seja no profissional ou no sub-20, nós levamos para o Urano. Muito trabalho, muita dedicação, os jogadores não faltavam no treino mesmo com chuva ou frio. O grupo realmente entendeu o que a gente queria, além da diretoria que dava todo o suporte necessário’’, comentou o treinador campeão. 

Com uma campanha invicta espetacular, com nove vitórias e oito empates na primeira fase, além de algumas marcantes goleadas, a equipe do Urano chegou na semifinal da Suburbana de 2008 contra a equipe do Vila Hauer. Após uma vitória por 1 a 0 fora de casa na ida e um empate por 0 a 0 no Manecão foram o suficiente para colocar o Urano na segunda final de sua história. O adversário da vez foi o tradicional Iguaçu, de Santa Felicidade. Na partida de ida, fora de casa, o Azulão dominou e venceu por 3 a 1 com gols de Salário, Paulo Sérgio e Dirceu. No sábado seguinte o título veio após uma vitória por 1 a 0 no Xaxim com gol de falta do lateral direito Salário, artilheiro da equipe naquele campeonato com 10 gols.

Foto: Comunicação Urano
Dentre os gols de Salário, a bola parada foi um artificio para conseguir vencer os adversários. Atributo que o treinador da equipe elogia até os dias de hoje. “A bola parada do Salário, em toda minha experiência dentro do futebol, foi a melhor, tanto a nível amador como de profissional. Era quase que perfeita’’, afirmou Ary Marques. O lateral direito, Salário, revela o “segredo’’ da qualidade de sua bola parada. “Treinamento faz toda a diferença. Sempre fiquei depois dos treinos com nossos goleiros, éramos os últimos a ir embora junto com o Ary, e ele sempre pedia para que eu não deixasse de treinar. Era exaustivo, mas sempre fiz com muita vontade e dava resultado nos jogos’’, esclarece. 

Indagado sobre o porquê dessa característica de cobrança de faltas vir sumindo no futebol profissional brasileiro, mas ainda mantendo certa força no amador curitibano, Salário argumentou: “Acho que hoje em dia os mais novos não têm mais essa vontade, acabou o treino e já querem ir embora. Apesar de que no Urano nós não tínhamos um material como uma barreira móvel, a gente sempre improvisava algo. Essas pequenas coisas é que me davam a satisfação de treinar sempre’’, comenta Salário. 

Com o título da Suburbana em 2008, o Urano garantiu a classificação para a Taça Paraná daquele ano, que contou com a participação de 28 equipes. Na semifinal, o Azulão foi até a cidade de Terra Roxa, onde bateu o Cristal por 5 a 3, nos pênaltis. O título, porém, ficou com a equipe do São Manoel, que venceu o Urano na grande final por 1 a 0. Mas o ano de 2008 ainda reservava um grande título para a equipe da Vila São Pedro: a Taça Kaiser, realizada na capital paulista. No Estádio Nicolau Alayon, campo do Nacional (SP), o Urano bateu a equipe do Nós Travamos, campeão amador paulista, por 4 a 0 na grande final nacional com gols de Flavinho, Gleisson (2x) e Laurinho.

 

Foto: Comunicação Urano

O clube manteve a base do elenco e da comissão técnica para a disputa da Taça Paraná e da Suburbana em 2009, decisão que deu muito resultado dentro de campo. “Nosso esquema dava certo, pois tinha a cobertura dos nossos volantes (Nilson, Robson, Bezerra, Gleisson), eles nos davam total liberdade para sair jogando’’, comenta Salário, que completa: “Era algo muito bem treinado e pensado pelo nosso treinador Ary. Ele tinha tudo muito organizado e foi com esse empenho que não somente eu, mas toda a equipe se deu muito bem nesses dois anos. A nossa qualidade coletiva era a vontade de se ajudar, treinar muito e se dedicar nos jogos, isso sempre foi o nosso legado’’, finaliza o lateral direito campeão em 2009, Salário. 

Arrasador, o Azulão se sagrou campeão da Taça Paraná em 2009 de forma invicta, com direito a marcantes goleadas, como 6 a 1 no Capivari e 16 a 0 no Sambaqui, na fase de grupos, além de uma vitória por 5x1 sobre o Rondon na segunda partida da final no Manecão.  Esse é, até hoje, o único título do Urano no campeonato estadual amador. Embalado, o início da Suburbana de 2009 foi avassalador, com nove vitórias nos nove primeiros jogos. O Azulão se classificou para a fase de mata-mata e foi até a grande final, onde enfrentou a forte equipe do Trieste. 

Na primeira partida da decisão, disputada em Santa Felicidade, o Tricolor Italiano venceu por 2 a 1. Na partida de volta, no Manecão, o placar se repetiu, mas dessa vez à favor do Urano. O título então teve que ser decidido numa terceira partida, novamente realizada no Manecão lotado. Com gols de John e Flavinho (2), o clube da Vila São Pedro venceu por 3 a 2 e conquistou seu terceiro título da Suburbana Série A, o segundo em anos consecutivos. Também vale ressaltar uma marca impressionante desse esquadrão do Urano. Entre 2007 e 2009, a equipe ficou 42 jogos sem perder, um feito inigualável desde então. Nesse período foram três títulos com 29 vitórias, 13 empates, 113 gols marcados e apenas 33 sofridos.

Foto: Comunicação Urano
 

O Azulão da Vila São Pedro possui uma relação incrível com a comunidade ao seu redor e com seu estádio, o Manecão. “A relação do bairro com o estádio é muito forte. As pessoas têm no Manecão aos sábados uma fuga daquela rotina estressante da semana’’, comenta Leandro Gonzaga, morador da Vila São Pedro há 34 anos, que possui uma forte relação com o clube, tendo sido campeão como jogador em 2003 pela equipe de juniores. Seu pai, Antônio Gonzaga, também foi uma figura presente como jogador, assim como na diretoria do Urano ao longo dos anos. “O Manecão sempre teve uma presença marcante de público, um público fiel que está sempre lá, prestigiando, torcendo, cornetando...’’, completa Leandro. 

O clube passou por um momento delicado em 2016, quando recebeu a notícia de que não poderia disputar a Série A da Suburbana aquele ano. Segundo Amauri Teixeira Jr, atual presidente do clube e que fazia parte da diretoria na época, um erro burocrático não permitiu a participação da equipe no campeonato. Houve o desligamento do presidente do Urano e a formação de uma nova diretoria, porém a necessidade do envio de uma nova ata para a Federação informando a situação passou despercebida pelo clube. Assim, na realização do arbitral do campeonato de 2016, ficou constado que o Urano não possuía uma diretoria formada e, assim, o clube foi rebaixado para a segunda divisão do certame. 

Foto: Arquivo Leandro Gonzaga

A equipe decidiu se licenciar por um ano, voltando à disputa da Série B da Suburbana em 2017. Desde então, a equipe teve campanhas irregulares e ainda não conseguiu voltar para a elite. “Quando o Urano tava em alta, vários patrocinadores queriam ajudar. Quando o clube caiu para a segunda divisão e ficou um ano afastado, vários desses patrocinadores se desligaram e hoje está mais difícil conseguir esses patrocínios. Estamos trabalhando com a nova diretoria para conseguir recursos e formar um time forte’’, comentou o presidente. 

Amauri também comentou sobre a situação do clube na pandemia: “Tudo foi afetado, então estamos tentando fazer a manutenção do gramado, algumas reformas na estrutura do clube, troca dos bancos de reserva, revitalização cabine de transmissão. Como não há jogos, estamos focando nas obras de manutenção do estádio’’, esclarece Amauri. Sobre o futebol em si, o atual presidente informou que alguns jogadores seguem no clube, enquanto que outros receberam propostas e saíram. “Quase que semanalmente faço uma reunião com o Primo, nosso treinador, e estamos na expectativa do campeonato começar em março, que é o objetivo de muitos clubes da Suburbana’’, completou.

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