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[AMADOR CWB] Em meio às adversidades, Santíssima Trindade conquista título inédito em 2017


A narrativa do Santíssima Trindade em 2017 é digna de uma película com vários capítulos. Antes do final feliz, o tricolor do bairro do Cajuru passou por algumas dificuldades. Dentre elas, sendo a principal, o falecimento do camisa 10 da equipe, Rodolfo. Situação que abalou o time nas rodadas seguintes, mas deixou o grupo ainda mais unido e serviu de inspiração e motivação para o restante da temporada. Devido a isso, os resultados positivos aconteceram e levaram o tricolor do Cajuru até a final e, consequentemente, ao título inédito, na casa do adversário.

#AMADOR CURITIBA
Por @rafaelbuiar

A façanha de 2017 teve o seu início e reflexos, mesmo que indiretamente, na temporada anterior, com a eliminação diante o Palmeirinha na fase de quartas de final da Série B da Suburbana. Com uma campanha positiva na primeira fase, a equipe do bairro do Cajuru avançou com folga à fase seguinte. Mas o primeiro choque no duelo de mata-mata foi diante o alviverde do Tatuquara. Mesmo o Santíssima Trindade vencendo no Parque Linear, o Palmeirinha acabou ficando em vantagem no placar agregado de 4 a 3 e avançou à semifinal, e depois conquistou o acesso à elite do futebol amador de Curitiba.

Depois da queda, o tricolor do Santíssima Trindade manteve alguns atletas do time de 2016 e entrou mordido na temporada seguinte, mesmo com uma campanha modesta na Copinha, ficando com a oitava colocação na tábua de classificação final. Mas, a copinha foi um dos fatores que ajudou no final da temporada, segundo o treinador Dinei. "Começamos o trabalho na base (copinha) com quase ninguém acreditando, mas nós estávamos cientes que a competição era para servir como preparação e montar o time. O resultado final da Copinha foi o que buscávamos, montar o time para a Série B da Suburbana. A Copinha serve para isso, criar corpo no time, fechar o grupo e buscar entrosamento. Por isso, considero que foi muito importante este processo para a conquista do título", acrescenta Dinei, técnico campeão no Santíssima Trindade em 2017.


Mas o certame que valeu para o Santíssima Trindade na temporada foi realizado no segundo semestre, a Série B da Suburbana. No ano de 2017, o certame iniciou em 12 de agosto para o time do Santíssima Trindade, que venceu de goleada o União Ahú, com 4 a 1 no placar. O ritmo foi bom no começo, pois no jogo seguinte o tricolor do Cajuru teve mais uma vitória. Desta vez por 3 a 0 diante o Bairro Alto e no Estádio Pedro de Almeida. Na primeira fase, o desempenho geral do time do bairro do Cajuru foi de quatro vitórias, um empate e duas derrotas. Com este desempenho, o Santíssima Trindade terminou na terceira colocação na tábua de classificação no grupo b, com 13 pontos, um a menos que os primeiros colocados, Tanguá e Nacional. Além disso, outro destaque do Santíssima Trindade nos primeiros jogos foi o ataque, o segundo mais positivo no grupo, com 15 gols, um a menos que o Grêmio Ipiranga.

Em meio à narrativa da primeira fase, o Santíssima Trindade teve um capítulo importante na história e que é necessário frisar na campanha. O camisa 10 do tricolor do Cajuru das primeiras rodadas, Rodolfo, faleceu no dia 25 de agosto em um acidente enquanto trabalhava. Devido a isso, o time do bairro do Cajuru não jogou na rodada. Por isso, o embate que estava previsto diante o Vasco foi adiado para o feriado sete de setembro. Mas o jogo pós falecimento foi diante o Tanguá, no Estádio Francisco Thiago da Costa. Palco que mais tarde trouxe a primeira alegria ao tricolor do Cajuru na temporada, a vaga do acesso. Em ambos, o time do bairro do Cajuru perdeu, com os placares de 2 a 1 (Vasco) e 1 a 0 (Tanguá).


O zagueiro e capitão do Santíssima Trindade em 2017, Queen, foi um dos responsáveis pela vinda de Rodolfo à equipe do bairro do Cajuru e também pela motivação após o falecimento do companheiro de equipe. "Junto com comissão técnica saímos da região de São José dos Pinhais e levamos o Rodolfo ao Trindade para fazer parte do elenco. Quando aconteceu a fatalidade, nós da equipe compramos a ideia e levamos isso ao vestiário, de vencer, ser campeão e deixar o nome Rodolfo marcado na história do clube", comenta o amigo de infância do camisa 10 do Santíssima Trindade.

Além da fatalidade que envolveu o camisa 10, Rodolfo, outra situação aconteceu no Santíssima Trindade, a saída do treinador que começou o projeto, Oscar Kirsten. "Começamos bem, mas levamos um baque com falecimento do Rodolfo. Isso foi a pior coisa que aconteceu e que passei dentro do futebol até a agora. Não recomendo para ninguém. Depois o Oscar teve que sair devido a uma oferta de emprego em outra cidade. Duas adversidades imensas em um momento delicado, com o grupo de jogadores mal devido o falecimento, sem forças para seguir. Aí que entrei, junto com o Rafael Siqueira, para levantar e motivar o grupo", finaliza Dinei.


Também integrante da comissão técnica, Rafael Siqueira valoriza o trabalho do trio enquanto esteve à frente do Santíssima Trindade. "Eu, Oscar e Dinei formamos um trio de técnicos e conseguimos tomar todas as decisões em conjunto, e fortalecer ainda mais as ideias e sobre questões pontuais nas partidas. A união do trio fez toda a diferença", acrescenta Rafael Siqueira. 

O FATOR CASA - Com uma das melhores campanhas no grupo B, o Santíssima Trindade avançou à próxima fase. Momento que o Parque Linear foi um dos fatores importante para conseguir as façanhas nos embates seguintes. Durante a primeira fase, o time do Santíssima Trindade só perdeu uma no Parque Linear, no embate diante o Vasco da Gama, que terminou em 1 a 0 para o time cruzmaltino. No restante, a equipe do bairro do Cajuru conquistou pontos importantes na competição. Mas o destaque ficou na fase de mata-mata, que prevaleceu ainda mais o poder do Parque Linear.

Segundo Rafael Siqueira, integrante da comissão técnica do Santíssima Trindade, o discurso utilizado com o grupo foi o de fazer o resultado em casa no primeiro embate para dar gás e jogar mais aliviado na casa do visitante. "Como não tínhamos a vantagem de decidir em casa, eu conversei com o grupo que precisávamos vencer em casa para jogar a pressão para os adversários no duelo da volta. Enfrentamos equipes tradicionais e favoritas, sendo que nós éramos o azarão. Até concordo com isso pela questão da camisa, mas no trabalho sabíamos que não, pois estávamos focados. E mata-mata é outro campeonato, tem que saber jogar ele. Por isso, acredito que o fator casa foi fundamental para nós", acrescenta, Rafael Siqueira.


Dentre os jogos da fase de mata-mata, o zagueiro e capitão do Santíssima Trindade, Queen, relatou que a maior dificuldade do time do bairro do Cajuru foi o da fase de quartas de final diante o Vila Hauer. "O Vila Hauer foi o time mais difícil na minha análise, pois era uma das favoritas e pelo fato deles treinarem durante a semana. Situação que não acontecia com a nossa equipe, pois o campo do Parque Linear não tinha iluminação e estrutura para a realização dos treinos. Mas a união, a vontade de vencer e o olhar nos olhos dos companheiros foram essenciais para conseguir as vitórias e o título na final", enaltece o capitão do título do Santíssima Trindade, Queen.

Já o treinador Dinei esclarece que o fator casa teve uma força motivacional e a ambição de retribuir ao eterno camisa 10 do Santíssima Trindade. "Cada jogo nós sabíamos, tinha que ganhar em casa e por qualquer placar. Pois se ganharmos em casas já estávamos convictos que iriamos passar. Soubemos sofrer durante o caminho. Por isso, Todos os jogos de mata-mata, o discurso foi praticamente o mesmo, vencer pelo Rodolfo. Fazer valer o que ele fez pela gente do Santíssima Trindade. Era um sonho dele e ele sempre comentou isso conosco, que iriamos vencer lá no final", comenta o ex-treinador do tricolor do Cajuru.


Os resultados dos três embates em casa na fase seguinte terminaram com três vitórias. A primeira batalha no duelo de mata-mata foi diante o Vila Hauer, que terminou em 4 a 2. Na semifinal, o duelo foi diante o Bangú e novamente o triunfo, desta vez com placar de 1 a 0. Na final, diante o Fortaleza, o resultado foi de 2 a 0, com gols de Luiz Fernando e Batoré. Já nos duelos de volta, o tricolor do Cajuru sofreu o revés em todas. Diante o Vila Hauer com o placar de 2 a 1; o mesmo placar diante o Bangú, no Estádio Francisco Thiago da Costa. Resultado esse que levou à disputa de penalidades, mas em tarde inspirada do goleiro Paulo, o Santíssima Trindade conquistou o triunfo no placar de 4 a 2. Já no último jogo do certame, o Fortaleza venceu pelo placar de 1 a 0, mas o resultado foi insuficiente para levar a decisão nas penalidades e o Santíssima Trindade conquistou pela primeira vez o título da Série B.

Conquista que teve um sabor especial para Rafael Siqueira e Queen, que sempre levará na memória o título do Santíssima Trindade de 2017. "O título em 2017 foi ímpar, pois foi a minha primeira experiência na capital. Pela comunidade do Trindade, pois são batalhadores e vivem disso. A felicidade deles, a nossa e o grupo que fechamos foram especiais. É um título que ficará marcado dos últimos campeões. Uma história bonita, junto com a trajetória do Rodolfo no meio. Acredito que ficará na história para muita gente", finaliza Rafael Siqueira.


Já o treinador Dinei, valoriza e enaltece os caminhos que teve que superar para chegar na primeira conquista no futebol amador de Curitiba. "Sou um privilegiado. Eu sempre sonhei em estar na Suburbana, tocar um time. Mas não nessas situações que aconteceram durante a temporada - falecimento do Rodolfo e a saída do Oscar; foi difícil. Mas quando é para acontecer, você só tem que agradecer. Com sabedoria e parceria, conseguimos conduzir esse grupo. Por isso, essa conquista representa e eu valorizo muito, pois vencer uma Série B é muito mais difícil que a Série A, sem contar que foi no meu segundo ano de Suburbana", finaliza Dinei.

A BASE DO TIME - Participaram nos duelos das finais o goleiro Paulo; os laterais Baiano, Folha e Marlon; os zagueiros Anderson, Juliano Queen; os volantes Queen e Lelo; os meias Jé, Wesley, Tupã e Tom; e os atacantes Luiz Fernando, Geovane e Batoré. Na prancheta Dinei e Rafael Siqueira.

ASSISTA A FINAL -  No próximo domingo (14), a partida entre Fortaleza e Santíssima Trindade, realizado no dia 11 de novembro de 2017, no Estádio Antonio Monteiro Sobrinho, será transmitida no canal do Youtube do DRAP a partir das 16h. A narração será de Vinicius do Prado e comentários e análises de Yuri Casari. Confira a emoção no teaser do primeiro reviver memórias do DRAP.


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