PROPAGANDA

[ESPECIAL] Início do fim: 51 anos do último clássico Ope-Guá

Foto: Allyson Santos
Em partidas oficiais, Operário Ferroviário e Guarani se enfrentaram pela última vez no dia 18 de maio de 1969. A rivalidade entre Alvinegros e Bugrinos ultrapassava o limite das quatro linhas e se destacava como um verdadeiro reflexo da sociedade no início do século XX. A Equipe DRAP resgatou algumas memórias do extinto clássico Ope-Guá, que floresceu dentro do futebol amador local.

#AMADORPG
Por Allyson Santos

A despedida
Naquele sábado, Operário e Guarani entraram em campo pela 4ª rodada da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. O palco era o Estádio Germano Krüger, em Vila Oficinas. O Fantasma vinha de três vitórias seguidas e precisava ganhar o clássico para se aproximar ainda mais da elite estadual. Os dois escretes já haviam se enfrentado no 1º turno do certame, com triunfo do alvinegro por 3 a 1 fora de casa. Com a derrota para o maior rival ainda engasgada, o Guarani tinha de arrancar pontos do Operário para se manter vivo.

O duelo carregado de emoção chegou ao fim com o gol do atacante Padreco, que garantiu a vitória do Fantasma. Aquele que seria o último Ope-Guá disputado em âmbito profissional, também selou o destino dos dois clubes. O Operário foi campeão e avançou para a Divisão Especial, enquanto o Guarani permaneceu na “segundona”, amargando uma grave crise financeira. Era só o começo do fim.

As ruas de Ponta Grossa, que foram tomadas por torcedores alvinegros após o título de 1969, sofreram um baque no ano seguinte. O time de Vila Oficinas foi rebaixado e, junto do Guarani, pediu licença do Campeonato Paranaense. Anos depois, o alvinegro retomou as atividades e hoje representa o município Brasil afora. O rubro-negro se voltou para o cenário amador, fortalecendo as atividades como clube recreativo.

Guarani de 1969: Osires Nadal; J.Alves, Altevir, Mario, Ernani, Mota, Daniel, Leopoldo e Nelson Lopes; João Maria, Moscatelli, Amilcar, Rubens, Henrique e Duda.
Um duelo entre classes sociais
As diferenças entre o Operário e Guarani passam diretamente pela origem dos dois times. O alvinegro de Vila Oficinas, fundado por um grupo de ferroviários em 1912, sempre teve uma identificação maior com a classe trabalhadora da cidade e hoje carrega o peso de ser o segundo clube mais velho do Estado em atividade.

Na intenção de formar um escrete que viesse a ameaçar o domínio municipal do Fantasma, esportistas locais fundaram o Guarani Esporte Clube em 1914. Associado a elite ponta-grossense, o próprio nome do Rubro-negro teve uma origem poética. Segundo José Cação Ribeiro Junior, autor do livro “O Bugre Princesino”, o batismo do GEC veio a partir da obra “O Guarani”, escrita por José de Alencar, que relata as histórias de um jovem guerreiro indígena. Nos primeiros anos, a sede vermelha e preta foi o Jockey Clube de Ponta Grossa, local frequentado pelas classes mais altas.

Segundo os registros analisados, o primeiro duelo entre os dois times foi em um amistoso realizado no dia 22 de novembro de 1914. Assim como o último duelo oficial, a partida terminou com vitória do Operário por 1 a 0.

A rivalidade atravessou o auge entre os anos 1940 e 1960. Nesse período, a cidade não se dividia apenas no campo. Os opostos eram visíveis nos bares da Rua XV de Novembro, localizada no centro de Ponta Grossa. Enquanto um dos estabelecimentos abrigava os torcedores rubro-negros, o outro só abrigava operarianos. Em meio às provocações, as diferenças se acentuaram cada vez mais. Parte da imprensa na época também auxiliou na disseminação da importância do confronto.

Operário de 1969: Roberto, Nilo Gomes, Mourão, Jamil, Nilson e Ferrinho. Nilson Peres, Padreco, Sabino, Reinaldo e Gauchinho.
Segundo os registros do livro “Imortal Operário Ferroviário”, os números finais do clássico Ope-Guá revelam uma vantagem do Fantasma. São 80 vitórias alvinegras contra 46 do Guarani, em 171 jogos disputados.

APOIE O PROJETO DRAP - Queremos dar voz para o futebol marginalizado e mostrar a transformação que este esporte é capaz, em diversas atmosferas – amador, base e feminino. Conheça a nossa campanha de apoio colaborativo na @catarse; - http://catarse.me/drap

No comments

Powered by Blogger.