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[ENTREVISTA] A caminhada de Dione: Do amador de Campo Largo à gol decisivo em Campeonato Brasileiro

| Foto: Assessoria do Operário |
Autor de um dos gols decisivos para o acesso do Operário à Série B do futebol brasileiro após 28 anos, Dione Miguel Ribas teve em sua carreira, uma passagem decisiva no futebol amador, até chegar ao profissional. Dione foi coroado com o título pelo alvirrubro e também foi artilheiro pela equipe do Novo Mundo, antes de ingressar no time da cidade de Ponta Grossa. Trajetória que inspira muitos garotos que jogam em certames de futebol amador pelo país e sonham com o profissional. Dione esteve presente no momento mais vitorioso da década do Operário e hoje atua no América (RN).

#ENTREVISTA
POR GERMANO BUSATO

Dione deu seu primeiro passo no futebol cedo, com apenas o sonho de um dia chegar ao futebol profissional. “Comecei jogando no adulto em Campo Largo logo com meus 15 anos. Joguei por duas equipes da cidade”, acrescenta Dione, que ainda destaca, que o futebol amador de Campo Largo é um dos mais fortes do Paraná e considerado uma porta de entrada para as competições maiores no futebol paranaense. Foi nessa estratégia que o meia campista decidiu e conseguiu ser destaque na cidade da louça, o suficiente para Dione atrair novos olhares. “Depois tive o convite do senhor Ivo Petry e fui jogar a Suburbana pelo Novo Mundo”, afirma o meio campista, que antes mesmo de disputar a Suburbana, teve destaque na Copinha pelo escrete alvirrubro, competição que é realizada no primeiro semestre.

Mesmo assim, o jogador ressalta que a suburbana é um dos amadores mais disputados, onde tem vários ex-jogadores profissionais ou atletas que querem ser profissionais. Nesse ponto da carreira, Dione deu seu primeiro grande passo. E o primeiro desafio veio, na copinha, disputada em Curitiba no ano de 2016. Foi nesse certame que Dione se mostrou destaque e foi o artilheiro da competição com nove gols anotados. “Aquela copinha foi muito importante para mim. Pude desenvolver meu melhor futebol e conseguindo marcar gols importantes! Nosso time, o Novo Mundo, estava muito entrosado e éramos favoritos. Todos nós sabíamos e só colocamos isso dentro de campo”, afirma o jogador.

Dione relata na entrevista que já chegou a desistir, antes de chegar ao profissional, da carreira no futebol. “Minha história é muito diferente dos demais, pois nunca joguei em categoria de base. Eu já trabalhava e quase não sai do meu emprego. Arrisquei ir direto para o profissional, onde foi muito difícil”, comenta o meia atacante, que ainda acrescentou que enfrentou muitos problemas após subir para o profissional, direto do amador. “Para o profissional foi muito difícil, pois requer muito mais força e preparo físico. Nunca havia treinado todos os dias. No começo, eu me sentia muito cansado e com muitas dores. Mas graças aos preparadores físicos e muito trabalho, consegui me adaptar”, relata Dione.


A realidade de ir direto para o futebol profissional, sem a passagem pela base, não é algo comum. Mas existem alguns exemplos conhecidos no Brasil, como o jogador Leandro Damião, com passagens pelo Internacional, Flamengo e Santos, que aos 17 anos jogava em um time amador de São Paulo e passou direto para o profissional. Ou no caso de Bruno Henrique, que fez parte do time de melhores jogadores do Campeonato Brasileiro Série A de 2019, pelo Flamengo. Com passagens por Cruzeiro, Goiás, Santos, e no futebol Europeu, o destaque do futebol brasileiro de 2019 foi chegar ao profissional aos 21 anos de idade, após ser destaque de um torneio de futebol amador de Belo Horizonte (MG).

Após chegar ao profissional, Dione chegou ao Operário para a disputa na Taça FPF sub-23, na qual foi campeão com o clube. O jogador jogou três temporadas no Operário, durante o período mais vitorioso do clube da década. Esteve presente na conquista da Taça FPF sub-23, na qual deu acesso à disputa da Série D do Campeonato Brasileiro, na conquista da segunda divisão do campeonato paranaense, e dos títulos da série D e C do Brasileirão. O jogador relembra o momento mais marcante que teve pelo Operário Ferroviário. “Teve vários momentos inesquecíveis, mas um muito marcante foi o gol que fiz contra o Santa Cruz, no jogo do acesso para série B”, relembra Dione.

O gol relembrado foi pela partida válida pelas quartas de finais da série D de 2018. O Operário precisava vencer pelo placar de 2 a 0 o Santa Cruz (PE), para se classificar para as semifinais e conseguir o acesso para a Série B do ano seguinte. O gol de Dione foi aos 34 minutos da segunda etapa, após um cruzamento rasteiro, o jogador chegou de carrinho na pequena área, e colocou a bola no fundo das redes do Germano Krüger. “Foi o gol do alívio, o gol da confirmação. É um momento marcante para mim e acho que para toda torcida do fantasma”, afirma Dione.


Após sua passagem vitoriosa pelo Operário, Dione teve uma passagem pelo ABC de Natal (RN) e, atualmente, joga pelo rival do ABC, o América. Dione conta como existem diferenças entre o futebol nordestino e o futebol que viu, em sua passagem pelo Operário. “É jogado de forma mais rápida e de mais intensidade. Quando joguei no Operário, era mais força e contato, com um jogo mais controlado. Acho que essa é a principal diferença”, aponta Dione.  

O meio campista do América conta ainda como é a rivalidade no clássico potiguar, por onde esteve nos dois lados do embate. “A rivalidade muito grande entre essas duas grandes equipes. Como já estive dos dois lados, as duas torcidas são sensacionais e a atmosfera que se transforma no dia do jogo é inexplicável. Considero-me um jogador de sorte por jogar nessas duas equipes”, enaltece o meia.

Por toda a sua trajetória, Dione enfrentou desde a glória e experiência no futebol amador, e a dura transição até o profissional. No final da entrevista, Dione aconselha para aqueles que ainda têm o sonho de chegar um dia ao futebol profissional, o que é realidade de muitos atletas que jogam nos campeonatos amadores pelo Paraná e Brasil. “Meu conselho é sempre acreditar, eu me tornei profissional com 22 anos de idade, nunca é tarde para tentar e não ter medo de arriscar e sempre confiar em seu potencial”, aconselha Dione.


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