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[ENTREVISTA] Marquinhos Vieira vive expectativa de comandar o tradicional Ypiranga e relembra histórias


Sob quarentena, o treinador Marquinhos Vieira aguardo o retorno do futebol para fazer sua reestreia no comando técnico do Ypiranga, o “vovô da Suburbana”. Com o elenco já formado para a disputa da Copinha, Marquinhos espera ter uma equipe competitiva na Série B da Suburbana e conta suas histórias da longa carreira no futebol amador.

#ESPECIAL
Por Yuri Casari

Carismático e dono de uma simpatia ímpar, o treinador Marquinhos Vieira assumiu em 2020 o desafio de comandar a equipe do Ypiranga da Fazendinha, o “vovô da Suburbana”. O alviverde é a equipe do coração de Marquinhos, que já fez história no clube no início dos anos 2000. Nos últimos anos, Marquinhos esteve à frente do juvenil do Vila Sandra, mas desde que o Ypiranga retornou ao futebol amador federado, o técnico já sonhava com seu retorno à equipe. “Nos quatro anos em que eu estive no Vila Sandra, eu sempre comentava sobre minha vontade de voltar a dirigir o nível adulto. Eu tenho apenas 52 anos, até não parece (risos). A minha volta ao Ypiranga é como voltar para casa. Estou na minha casa. O carinho, o respeito e o amor que eu tenho ao clube é muito grande”, afirmou.

Atuante na diretoria do Ypiranga, o convite para assumir a equipe principal do clube não foi uma surpresa. “Em dezembro, tomei uma decisão. No Vila Sandra eles queriam acabar com o projeto que eu cuidava das crianças, no sábado de manhã, e eu estava louco para dirigir um time adulto. Então uniu as duas coisas e ainda em dezembro já estava acertado com o Ypiranga para a partir de janeiro começar os trabalhos visando a Copinha e a Suburbana”, explicou.

No entanto, a paralisação em razão da pandemia do coronavírus adiou a reestreia de Marquinhos no comando do Ypiranga, que aconteceria na disputa da Copa de Futebol Amador de Curitiba, a competição federada do primeiro semestre. O treinador acredita, inclusive, que a competição talvez não seja nem disputada em 2020. “Com essa onda do coronavírus complicou um pouco. Eu já tinha feito alguns amistosos, contratando jogadores que eu criei, que já trabalhei lá atrás. Fizemos dois bons amistosos, no último goleamos o Olímpico por 4 a 0, e ainda não estávamos com o time completo”, destacou. “Eu trabalho na Saúde há mais de 30 anos. E digo que só está começando. Digo que, com certeza, a Copinha não vai rolar. A expectativa era muito boa. Espero que para a Suburbana, ali por junho e julho, essa crise já tenha passado”, opinou sobre a crise atual.


O Ypiranga, dono de seis títulos na leite da Suburbana em sua história, retornou aos campeonatos federados em 2019 e teve um desempenho bastante modesto, terminando na 16ª colocação na Série B. Sabendo das limitações, Marquinhos acredita que a equipe pode entrar na briga pelo acesso ainda este ano, mas seu planejamento é feito a longo prazo. “Nosso objetivo era fazer um bom trabalho na Copinha para ir forte para a Suburbana e tentar brigar para subir, mesmo com menos estrutura que outros clubes. Mas acredito que na maioria dos clubes da Série B há os mesmos problemas que temos no Ypirangão. Pra mim é um desafio muito grande retornar a um clube que eu já tenho história e títulos. É um clube que tem dificuldade, pouco patrocínio. Mas a gente que tem um bom conhecimento na área, facilita um pouco para a montagem do time. Vou me dedicar ao máximo. Em três anos quero colocar o Ypiranga na Série A”, decretou.

CURRÍCULO VASTO
O retorno ao Ypiranga completa um longo ciclo de Marquinhos no futebol amador de Curitiba, que sempre teve um gosto particular para o comando técnico. “Eu comecei muito cedo minha carreira de treinador de futebol e sempre joguei futebol paralelamente. Comecei aos 16 anos, treinando meninos de até 13 anos do Guarani Santa Helena, um bairro que tem perto da Fazendinha, entre o Caiuá e o Itatiaia (bairros que nem existiam na época), na década de 80”, detalhou.

Com atleta federado, Marquinhos Vieira jogou pelas categorias de base do Novo Mundo e aos 15 anos assinou com o Santa Quitéria. “De 84 a 86 joguei a categoria juniores (de 15 a 18 anos), pelo Quitéria. Em 86, eu tava em uma fase muito boa nas categorias inferiores e me promoveram para o time principal. Com esse tamanho todo que eu tenho fui promovido a vestir a camisa 10 do time principal”, recorda. Em 1987, o então meia jogou no Flamenguinho de Santa Felicidade e no ano seguinte vestiu a camisa do Bangú. 

Ainda em 88, levantou seu primeiro troféu como treinador. “Sempre fui um bom jogador, mas eu gostava de comandar. Em 1988, eu era treinador do Guarani Santa Helena ainda. Um local que tem muito talento, um celeiro. E ganhei meu primeiro título como treinador, no campeonato que o saudoso Leônidas Dias organizava. Um campeonato de “cobrinhas”, com garotos na faixa dos 13, 14 anos. Ganhamos em cima do Expressinho, do Sítio Cercado, que hoje não existe mais. Curiosamente, em 2003, fui campeão como treinador pelo Ypiranga, em cima deles, e subi a equipe para a Série A na época”, lembra o treinador.


Já nos anos 90, Marquinhos teve a primeira experiência como treinador de uma equipe federada, comandando o juniores do Ypiranga, em 1995. “Foi o Ypiranga que me deu a oportunidade. Disputamos a final da categoria contra o Combate Barreirinha. Duas partidas belíssimas, mas acabamos ficando com o vice-campeonato perdendo o título nos pênaltis”, disse. No ano seguinte, a equipe chegou novamente à final. “Sempre fiz trabalhos bons nas categorias de base. Em 96, na Série A ainda, eu estava pelo Ypiranga, e alcançamos o título. Era uma base que eu treinava há uns três quatro anos Um time muito forte. Vencemos o Pilarzinho, que na época era treinado pelo Beto, hoje presidente do União Ahú. A decisão foi no Iguaçu, em uma quarta-feira à noite, ganhamos de 4 a 2”, detalha Marquinhos.

Em seguida, o comandante assumiu o time principal do Ypiranga, ficando no cargo entre 97 e 99. Em 2000, o clube se licenciou. Nesse período, Marquinhos teve uma experiência um pouco diferente, comandando o feminino do Novo Mundo. “Naquela época o Novo Mundo tinha um feminino muito forte. Fui o primeiro treinador, de 2000 a 2003. Revelei meninas até a nível de seleção e cheguei a ser campeão paranaense em 2003. Eu alternava, trabalhando no sábado na Suburbana, e no domingo trabalhava pelo feminino do Novo Mundo”. 


Ainda em 2003, porém, o Ypiranga retornou às atividades, e Marquinhos mais uma vez assumiu a prancheta da tradicional agremiação. “Formamos um time muito forte, sem pagar jogador, sem nada. Bem amor à camisa, só pela cervejinha e pela carninha depois do jogo. Pelo trabalho que eu fazia de base, consegui formar um time muito forte, jovem e com alguns experientes. Fomos campeões da Série B e subimos para a Série A”. No ano seguinte, a equipe ainda levantou o caneco da Copa dos Campeões, diante do Combate Barreirinha. “Foi quando enfrentei seu Ivo Petry. Ele no Combate e eu pelo Ypiranga. Nós nos enfrentamos nessa competição, eu estava com treze ou quatorze jogadores. O jogo foi na Fazendinha, vencemos por 1 a 0. É um momento bacana da minha história”, afirma. 

Mais recentemente, Marquinhos voltou a se destacar levando o Vila Sandra ao vice-campeonato amador da categoria juvenil, perdendo na final para o Trieste após três empates. O time tricolor ficou com o título por ter feito melhor campanha até ali. “Aquela campanha de 2017 foi a melhor campanha e um dos melhores juvenis que já trabalhei nessa categoria. Por coisas que ocorreram durante a classificação, chegamos em sétimo. Fomos brigar com o Imperial na última rodada para classificar. Classificamos e fugimos do confronto com o Trieste, que já complicava. Pegamos o Quitéria, segundo colocado, as coisas foram dando certo e chegamos em uma grande final. Inesquecível para mim, inesquecível para os meninos. Foi um dos melhores juvenis que já trabalhei e com uma estrutura inferior ao do Trieste. Fizemos bonito, jogamos três jogos de igual para igual. O Trieste foi campeão, o título ficou em boas mãos, mas se ficasse com o Vila Sandra também ia ficar em boas mãos”, avalia.



Para Marquinhos, o principal jogo daquela campanha foi o da classificação para a segunda fase, diante do Imperial. “Nós precisávamos ganhar, e deu toda aquela confusão e nós estávamos perdendo de 2 a 1. O jogo foi interrompido e faltavam cerca de 23 minutos para jogar. O Imperial jogava até pelo empate. Voltamos para esse jogo com portões fechados, empatamos no início daquele período e no final, Patrick de falta liquidou. Aquele jogo foi inesquecível”, afirmou.

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