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Após sete anos, Cascavel CR retorna à elite estadual



Em 2011, o Cascavel Clube Recreativo participava pela última vez da primeira divisão do Campeonato Paranaense. Com a pior campanha, somando os dois turnos do campeonato, o time foi rebaixado com apenas oito pontos em 22 jogos. Era o fim de um ciclo da equipe na elite estadual, onde se não chegou a brigar pelo título conseguia se manter para não cair.


#ACESSO 2018
Por @joaoheim

Nesses sete anos, Cascavel CR chegou a cair para a terceira divisão, paralisou as atividades e renasceu em 2014, quando jogou com um time de garotos da base a terceira divisão do Campeonato Paranaense. Ganhou no ano seguinte a terceirona e fez campanhas razoáveis em 2016 e 2017 na Divisão de Acesso.

Durante esse período, surgiu o novo rival do time, o Futebol Clube Cascavel, que atualmente disputa a primeira divisão estadual e tomou as atenções dos torcedores locais, sedentos por uma equipe que representasse novamente a cidade no estado. Dessa maneira, o CCR não teve tanta atenção e se desconfiava que, em 2018, o time poderia ter condições de brigar pelo acesso contra os favoritos Operário e São Joseense. A campanha do time na primeira fase foi bastante irregular. Mas, como dois times eram eliminados o Cascavel CR passou para a fase seguinte e se permitiu ainda sonhar no grupo com São Joseense, Paranavaí e Rolândia.

O treinador do time, Luiz Carlos Cruz, chegou no meio da campanha da equipe e não fugiu do desafio que viria pela frente, mesmo sendo chamado em um momento inusitado, na sexta-feira santa: "Ele fez o convite (presidente Tony de Almeida) e eu estava na igreja, e aquilo bateu no meu coração, "tem que ir", não me preocupei, honestamente, quanto ia receber, como que ia receber, e viemos. Eu cheguei aqui a tarde, vi o treino, não gostei, no sábado fomos para o jogo com o Paranavaí e vencemos, mas não convencemos. E com tempo para trabalhar e com eles, jogadores, protagonistas, e a comissão técnica, entenderam que era preciso mudar. Mudar a forma, mudar a pontualidade, mudar a disciplina, ter um time organizado taticamente", afirma.

Com a mudança estabelecida na equipe, foram três vitórias e um empate que o credenciaram a equipe, para, no último domingo (29), se colocar na condição de, caso empatasse diante do Rolândia, matematicamente subir para à elite do futebol paranaense. O nervosismo era maior que o normal entre jogadores, comissão técnica e os pouco mais de 400 torcedores presentes no Estádio Arnaldo Busatto, em Cascavel.


No entanto, mesmo sofrendo nesses anos com o time em crise, os torcedores acreditaram no potencial da equipe e na vaga para a primeira divisão. "Nesses últimos quatro anos o CCR tem formado um time de campeões, guerreiros e nós passamos por algumas dificuldades, mas estamos aí, viemos para mostrar, viemos e ganhamos", relata a torcedora Alessandra Keltika, que entrou em campo para comemorar com o time o tão sonhado acesso.

O torcedor Marcelo Vilas Boas fala sobre a desconfiança que rondava sobre a equipe e o sucesso no final da jornada. "Há tempos nós estamos procurando isso, uma batalha muito dura. Todo mundo achou que a gente estava morto. Mas, mais uma vez a gente mostrou que tem uma capacidade muito grande e nós vamos ganhar e vamos procurar os objetivos maiores que agora são no Campeonato Paranaense da primeira divisão".

Se a campanha até o acesso não foi fácil para o Cascavel CR, os torcedores viram um jogo equilibrado na luta pela vaga na elite. Os dois times tiveram chances de gols e fizeram os goleiros trabalharem. O primeiro alívio cascavelense foi aos 39 minutos da etapa inicial, quando Lapa fez jogada individual, avançou na área e chutou rasteiro para marcar o único gol da partida. Lapa, que foi de certa forma predestinado, como o próprio treinador fala: "E veja como é que as coisas acontecem, ao perder o Ronaldo optamos pela entrada do Lapa. Quem é que fez o gol? O Lapa".


Na segunda etapa, cada minuto era de tensão com o time e a torcida querendo que o tempo corresse logo para a comemoração acontecer. O CCR manteve o resultado e ao apito final a festa foi grande com jogadores, comissão técnica e torcedores no gramado. Para os jogadores, um sentimento de alívio com o objetivo conquistado ao final da competição: "Sentimento de dever cumprido, que a gente batalhou, dedicou, se esforçou e nós merecemos isso", concluiu o atacante Rone entre abraços de torcedores e companheiros de time.

Com as vagas para a primeira divisão definidas, também ficou certa a final do campeonato, entre Operário e Cascavel CR. De um lado o atual campeão da quarta divisão nacional e do outro um time em reconstrução. Luiz Carlos Cruz prega respeito ao time adversário e busca uma final honrosa para a equipe do Oeste. "E agora vamos pensar em uma final digna, que do outro lado tem uma equipe com um orçamento extraordinário, está fazendo uma grande campanha na Série C do Campeonato Brasileiro, dessa forma podemos deixar claro que o favorito são eles. Mas nós podemos surpreender, através de trabalho e organização".

Pela primeira vez na história a cidade de Cascavel terá dois times na elite estadual. Fica a expectativa dos mais de 319 mil habitantes da cidade com o desempenho do FC Cascavel e do Cascavel CR no campeonato de 2019, no já apelidado clássico do veneno.


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