Santíssima Trindade vence o Fortaleza por 2 a 0 e dá passo importante em busca do título

Santíssima Trindade fez valer o seu mando de campo e venceu o Fortaleza por 2 a 0
(Foto: Dudu Nobre).
No primeiro duelo das duas melhores campanhas da Série B, melhor para os donos da casa. O Santíssima Trindade aproveitou a vantagem numérica após a expulsão de Kairo e marcou duas vezes, com o iluminado Luiz Fernando e com o atacante Batoré. A vitória por 2 a 0 faz com que o Trindade possa ficar com o título até mesmo com uma derrota no jogo da volta, no Jardim Gabineto.

#SérieB
Por Yuri Casari

Pré-jogo: O Fortaleza, dono da melhor campanha, visitou o Trindade, segundo melhor colocado geral. Após a conquista do acesso por ambas as equipes, chegou a hora da disputa pelo título da Série B - que também dá uma vaga ao campeão na Taça Paraná de 2018. 

Primeiro tempo: O campo estava muito encharcado e a chuva ainda caía forte em Curitiba quando a bola rolou. A torcida do Fortaleza se fez presente em bom número, assim como a pequena e fiel torcida local. No início da partida, estava difícil trabalhar a bola. Ainda assim, os dois times não abdicavam de jogar por baixo. Foram poucos os lançamentos e bolas aéreas nos primeiros minutos. A primeira finalização do jogo aconteceu aos 9 minutos com Batoré, que arriscou o chute rasteiro, mas Valderson fez boa defesa. O Trindade percebeu rápido que, com as condições precárias do campo, o chute de fora da área seria uma boa arma. Aos 15, Tom também tentou, e Valderson novamente defendeu. 

O jogo foi se acirrando e as divididas passaram a ficar um pouco mais perigosas. Em uma delas, aos 28, Kairo, que já havia sido amarelado por reclamação, deu um carrinho imprudente ainda no campo de ataque, e o árbitro não perdoou. Segundo amarelo, seguido de expulsão, complicando a situação da equipe do técnico Vilmar Assunção. 

Aos 31, o Trindade voltou a tentar o arremate de longe. Jé bateu com efeito e Valderson desviou para escanteio com a ponta dos dedos. Nos quinze minutos finais o Fortaleza melhorou na partida e ganhou terreno, mas tinha dificuldade de encontrar o espaço para finalização. O jeito foi recorrer à bola parada. Aos 40 minutos, Dudu bateu uma falta lateral de maneira direta e Paulo teve que se virar para evitar o gol.

Na disputada primeira etapa, o Trindade começou melhor, mas o Fortaleza equilibrou as coisas e saiu para o intervalo jogando melhor (Foto: Dudu Nobre).
Segundo tempo: Na volta do intervalo, o Fortaleza mostrou rapidamente que poderia sair de campo com a vitória em dois lances protagonizados por Roberto. Já no primeiro minuto, o camisa 8 tricolor ajeitou pro meio e bateu forte de canhota, dando muito trabalho para Paulo. Na segunda jogada, aos 3, Roberto recebeu na esquerda, passou pelo zagueiro Queen e chutou, mas a bola tomou o caminho da linha de fundo. 

O Trindade logo se recuperou da tentativa de pressão e passou a controlar o jogo. A partir dos 10 minutos, a partida se transformou em um bate rebate. O Trindade em cima, no campo adversário, e o Forta apostando nos contra-ataques. Em três lances seguidos, o goleiro Valderson salvou o Fortaleza. Aos 11, Marcão bateu colocado e o arqueiro encaixou a bola. Aos 15, em chutaço de Queen da intermediária, Valderson foi obrigado a jogar para escanteio. E aos 18, mais uma vez o goleiro praticou linda defesa, em cabeçada de Geovane. Entre uma tentativa e outra do Trindade, o Fortaleza chegou a encaixar alguns bons contra-ataques, mas faltou capricho na hora de matar a jogada. 

Foi então que o técnico Dinei, hoje acompanhado de seu antecessor Oscar Kirsten, promoveu a entrada de Luiz Fernando. E assim como no jogo de ida das semifinais, o meio campista entrou para ajudar a definir o resultado. Aos 28 minutos, Luiz Fernando recebeu pela direita, ajeitou a bola para o meio e bateu de chapa, sem chances para Valderson, abrindo o placar da partida. O nervosismo, que já era grande por parte da equipe do Fortaleza, só aumentou com o gol sofrido. E a equipe acabou tomando um golpe maior logo em seguida. Aos 33, Lelo levantou a bola na área em cobrança de falta. A bola foi direto em Valderson, que deu o rebote. Batoré estava presente na área para conferir e estufar a rede, aumentando a vantagem do Trindade. No fim do jogo, o Fortaleza foi para o tudo ou nada, mas esbarrou na tranquilidade da sólida defesa do Trindade, que com o placar de 2 a 0, pode até perder por um gol de diferença na partida de volta, que sai com o título da segunda divisão do Amador. 

Luiz Fernando disputa bola pelo alto com Marcão. O meia do Trindade saiu mais uma vez do banco de reservas para decidir para o time da zona leste de Curitiba (Foto: Dudu Nobre).
Nota: Após a partida, ocorreu uma discussão entre membros do Fortaleza e do Trindade. De acordo com o técnico Vilmar Assunção, ele teria sido chamado de 'macaco' por uma torcedora durante a partida. O treinador se manifestou sobre o assunto em seu perfil do Facebook:

[...] Uma senhora [...] ofendeu minha mãe com palavras que não merecem ser citadas aqui, mas o nome de macaco hoje prevaleceu. Infelizmente, por duas vezes, com testemunhas. E pra ainda deixar tudo mais triste no futebol amador, no momento de pedir desculpas, essa mesma pessoa se prevaleceu por ser do sexo feminino e me agrediu com um tapa na cara. Fui contido por pessoas ali presentes pra não fazer loucura. Vou terminar essa competição e não quero mais saber de futebol amador pois todos sabem quem sou e oque eu já fiz por meu clube e por minha comunidade.
Acho que isso pra mim foi o fundo do poço. Repito, não é desculpa de perdedor pois tenho plena convicção que podemos reverter essa situação, mas infelizmente perdi o tesão depois da situação de hoje!
Infelizmente o racismo chegou no futebol amador.

A nossa reportagem está apurando os fatos e buscando contato com a parte acusada. Nosso espaço está aberto para qualquer esclarecimento. 

Atualização - 05/11 - às 13h20: Conseguimos contato com a parte acusada, que não quis ser identificada. Ela apresentou sua versão e publicamos na íntegra abaixo:

Olá, eu sou a torcedora do Santíssima Trindade, que está sendo injustamente acusada de um suposto racismo por parte do treinador do time do Fortaleza. Gostaria de deixar bem claro que eu nunca, jamais, seria capaz de ofender alguém dessa forma. Não existe a menor possibilidade de eu ser ou querer ser racista com alguém, pois me orgulho por ser de uma família de pessoas afrodescendentes. Minhas avós, meus tios, meus primos, meu marido, meus cunhados e cunhadas. Certamente eu poderia ter sido acusada de qualquer coisa possível, menos de racismo. Acho engraçado o meu acusador dizer que tem testemunhas, tendo em vista que durante os 90 minutos de bola rolando o mesmo esteve sozinho à beira do gramado conduzindo o jogo de seu time e sendo que até pessoas que são da torcida do time deles e estavam o jogo inteiro ao meu lado, disseram que esta suposta injúria racial não existiu. Eu fiquei a partida inteira ao lado de uma amiga e do meu primo e em momento algum algo desta natureza saiu da minha boca. Assim como todos da nossa torcida e todos da torcida deles também, eu fiz xingamentos, mas todos forjados no calor do jogo. O que me surpreende é uma pessoa que se diz "profissional" se deixar levar por coisas que a torcida fala, pois já pensou se os juízes fossem dar moral pra tudo que falam pra eles durante os jogos? Acredito que não existiria mais torcidas. Volto a repetir, não houve qualquer tipo de injúria racial da minha parte, eu jamais seria capaz de algo desse nível. O que houve foi um técnico ofendido e de cabeça quente por ter perdido um jogo pela primeira vez no campeonato, que não soube lidar com a situação e não soube ser humilde em aceitar minhas desculpas, a qual fui fazê-la pelo fato de eu ter feito xingamentos contra o mesmo, mas lembrando que nenhum que pudesse ser considerado racista. Eu fui conversar com o meu acusador no fim da partida e ele não aceitou as minhas desculpas e ainda por cima levantou contra mim esta falsa acusação. Eu infelizmente não consegui me conter diante de uma acusação tão grave, mas ao mesmo tempo tão sem noção e tão falsa, que realmente o agredi fisicamente. E sim, quanto a isso, peço desculpa a ele e a sua família, aqui publicamente, pois sei que não deveria o ter feito, mas repito, quanto a acusação de racismo, não posso pedir desculpas por algo que não fiz. Finalizo dizendo que sim, fui ameaçada e não poderei comparecer no próximo jogo, pois preciso preservar minha integridade física, pois o meu acusador, disse que "os caras da região onde eu moro", irão me entregar pra ele. Sem mais para o momento, grata.

Em contato com o técnico Vilmar Assunção, o mesmo negou qualquer tipo de ameaça e reiterou que o Fortaleza irá fazer a melhor recepção possível para a equipe do Trindade. Abaixo, publicamos na íntegra a resposta do treinador:

Cara, não tem nada contra a equipe do Santíssima Trindade. Os caras ganharam o jogo na bola, com méritos por sinal. Aqui no Fortaleza não tem qualquer tipo de ameaças a ninguém. Essa pessoa que fez isso não merece nem se quer ser lembrada. Ela um dia vai pagar pelo que fez sim, mas por contas a resolver com Deus. Em momento algum ameaçamos a equipe do Trindade. No calor do jogo a gente escuta sim muita coisas, e até mesmo relevamos, mas tem certas coisas que não podem ficar sem punição. Ela não é bem vinda aqui no Forta. Seria hipócrita se eu dissesse ao contrário. Vamos nos preparar para o jogo da volta, vamos fazer nossa festa como sempre fizemos e nós mesmo iremos solicitar a presença da polícia, mas acho que essa senhora não deveria comparecer, pois estamos à beira do campo e fica difícil proteger alguém lá fora. Repito, não tem nada contra o Santíssima Trindade!

Perguntado sobre sua "aposentadoria" do futebol amador, Vilmar disse que irá participar da final, primeiramente, e depois irá decidir o que fazer.

A direção do Santíssima Trindade ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto, mas em conversas extra-oficiais, os membros da direção da equipe se mostraram bastante chateados com a situação e preocupados com a repercussão do caso. 

Reforçamos nosso compromisso na apuração dos fatos e seguimos à disposição para qualquer esclarecimento das partes envolvidas.

OS ESCRETES XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

SANTÍSSIMA TRINDADE: 1 Paulo; 2 Baiano, 3 Juliano, 4 Queen e 6 Marlon; 5 Marcão, 7 Jé, 8 Lelo e 10 Tom (16 Luiz Fernando); 9 Geovane e 11 Batoré (19 Wesley. Téc. Dinei.

FORTALEZA: 12 Valderson, 2 Piwi, 3 Neguinho, 4 Marcão e 6 Dudu; 5 Xiru, 7 Kairo, 8 Roberot e 10 Manfron; 9 Cafu e 11 Michael (17 Wuallyson). Téc. Vilmar Assunção.

FICHA TÉCNICA – SANTÍSSIMA TRINDADE 2x0 FORTALEZA
ARBITRAGEM: Thiago Coltre Nogueira.
ASSISTENTES: Diogo Morais e Tom Gomes Rocha.
GOLS: Luiz Fernando, aos 28, e Batoré, aos 32 do 2º tempo.
AMARELOS: Queen, Jé e Tom (TRI); Marcão, Kairo, Neguinho e Manfron (FOR).
VERMELHO: Kairo (FOR).