Eu acredito em Fantasma!



É comum ouvir o famoso “- mas só torce para o Operário? ”, quando assumo que torço para o Fantasma da Vila. Já acostumei e costumo responder com um “ué, mas só torce para o São Paulo/Corinthians? ”. Mas sim, só Operário! Assim como todos os malucos que estão no GK em todos os jogos. É sensacional viver o Operário, porque a gente não torce, a gente consegue viver... 


#OPINIÃO

Por @bemtto

... Temos o contato de todos os jogadores até o presidente, e tratamos todos como pessoas normais que são. Lembro de 2015 quando encontrei um dos jogadores do elenco na padaria e entrei em choque, fiquei abismado por ninguém reconhecer ele.

Enfim, falaremos do que importa no viver, o Operário. O ano de 2017 tem sido o famoso “estou feliz e triste ao mesmo tempo! ”. Sim, não conseguimos o acesso para a 1° Divisão do Paranaense. Mas, cá entre nós, o acesso para a Série C do Brasileiro é bem legal também, né? Estamos vivendo o momento de êxtase semelhante ao garoto que queria uns patins de natal, mas ganha uma bicicleta nova. Esperávamos o que não veio, mas algo melhor veio para aliviar a dor desse sofrimento.

Convenhamos, já é tradição a gente falar que “nem tudo é fácil para o Operário! ”, ao mesmo tempo que dizemos “A chuva sempre veio no momento certo! ”. E sim, as duas afirmações são corretas. A chuva esteve presente em todas as ultimas glórias do Fantasma como acesso de 2009, o título do Paranaense de 2015 e na última segunda, após o fim do jogo, no acesso para a Série C.

É até difícil para mim, torcedor e jornalista da equipe do DRAP, tentar escrever algo sem me perder, o misto do sentimento com a imparcialidade atrapalha mais do que vocês imaginam. Mas vou tentar ser breve nesse texto e explicar algumas coisas.

Em 2015 tínhamos um baita time, todos com moral pós resultado do Paranaense, e assim confiança para o que estava acontecendo, mas paramos nas quartas de final, perdemos para o Remo a vaga do acesso. A dor ficou, marcou a torcida e até hoje consigo lembrar do choro que encontrava pelas ruas da cidade.


Agora, em 2017, a história foi totalmente diferente. Um time cobrado pela torcida pelo não acesso do Paranaense. Um time com pequenos erros, que eram mais lembrados que os grandes acertos. Chegamos nas quartas de final de volta, o filme passava pela cabeça de todos os torcedores. Era normal a desconfiança com o acesso até o fim do 1° jogo, já que 2010 e 2015 tivemos o revés nessa fase e ficamos no quase. Mas dessa vez era diferente, ninguém queria ficar no quase.

Fomos ao Maranhão e ganhamos o primeiro jogo por 3 a 1 e de virada. Na volta, a festa já era evidente antes do jogo. A volta da Chicória para o estádio me dava medo, mas aceitei. No fim do jogo “deu nóis”. No meio da festa, das músicas pela classificação, dos diversos rostos nas arquibancadas encontrei um chorando de alegria. Eu, como fotografo, fiz a foto no instante. Confesso que gostaria de estar no lugar desse rosto, chorando na grade enquanto incrédulo apenas tentava assumir que “sim, dessa vez deu certo! ”.


Quando fiz essa foto, quis que a cidade inteira conhecesse essa história pelo simples motivo de que o rapaz chorando em ambas as fotos é o mesmo. E essas duas fotos significam o que o Operário sempre aprendeu: nunca vai ser fácil, mas o resultado vem.

Obrigado a todos os jogadores, a comissão técnica e a diretoria. De um sonho em 2005 à realização em 2017. Temos o calendário completo, que veio com o corte em tantos anos, mas a dor cicatrizou e o choro é de alegria agora.

Por sinal, nosso sonho ainda não acabou. Sabemos do potencial dos quatros finalistas, mas falaremos em todos os cantos do Brasil que “acreditamos em Fantasma! ”, porque acreditamos em vocês! Estamos com vocês, façam história, novamente!

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