A Seleção Brasileira versus equipes paranaenses


Houve um tempo em que o enfrentamento de seleções com clubes de futebol era comum. É verdade que esse tipo de confronto existia até pouco tempo atrás, mas atualmente, é cada vez mais impensável ver um time de futebol local encarar um selecionado nacional. Na história da Seleção Brasileira, houve dezenas de partidas contra clubes de futebol, brasileiros e estrangeiros. E em cinco oportunidades, o Brasil enfrentou clubes paranaenses (três vezes com a equipe olímpica e duas vezes com o time principal).

#Especial

Vs Atlético Paranaense

A primeira vez na história que a Seleção Brasileira enfrentou uma equipe paranaense aconteceu em 1968. O time olímpico realizou um tour pelo Paraná visando o torneio pré-olímpico que aconteceria na Colômbia, e daria vaga às Olimpíadas do México, naquele mesmo ano. O Brasil enfrentou em sequência o Atlético Paranaense, o Ferroviário e um sensacional combinado entre Londrina e União Bandeirante. A partida contra o Atlético ocorreu no dia 4 de fevereiro de 1968 no então Estádio Belfort Duarte, atual Couto Pereira. 

A seleção olímpica, formada quase toda por jogadores de equipes dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, se mostrou frágil nos amistosos que fez, e a eliminação ainda na primeira fase do Torneio Olímpico, não foi surpresa. Diante do Furacão, o Brasil iniciou melhor a partida e abriu dois gols com o atacante China, do Palmeiras, aos 9 do primeiro e aos 9 do segundo tempo. Aos 14, Milton Dias diminuiu para o Atlético. Quatro minutos depois Alfredo deixou tudo igual. Aos 33, Toninho, do São Paulo, colocou o Brasil de novo na frente. Dois minutos depois Milton Dias voltou a empatar a partida, e aos 40 minutos, o craque Zé Roberto, que havia disputado as Olimpíadas quatro anos antes, em Tóquio, virou o jogo e definiu o placar em favor do Atlético.

A força do elenco atleticano, que não estava completo na partida contra o Brasil, ainda seria colocada à prova em outros momentos do ano. A equipe fez louvável campanha no Robertão, o Brasileirão da época, e apesar de não ter ganho o Paranaense, é tido como um dos melhores times já montados pelo rubro-negro. O ataque do Furacão marcou 105 gols em 68, ficando atrás apenas do Furacão de 49, com 116 gols. 

Ficha técnica - ATLÉTICO-PR 4x3 SELEÇÃO BRASILEIRA OLÍMPICA
Data: 4 de fevereiro de 1968
Local: Estádio Belfort Duarte
Árbitro: Kalil Karan Filho
Público: 22.627
Gols: China (2), Milton Dias (2), Alfredo, Toninho e Zé Roberto.

Atlético-PR: Barbosa, Pardal, Luis Carlos, Tito e Gilberto; Jair Henrique e Alfredo; Dorval (Valdo), Zé Roberto, Milton Dias e Nilson.  

Brasil: Getúlio (Ferroviária-SP), Claudio Deodato (São Paulo) depois Dutra (Bonsucesso-RJ), Almeida (Corinthians), Major (Vasco da Gama) e Jorge (Palmeiras); Tião (Corinthians) e Sá (Bonsucesso-RJ) depois Rui (Fluminense); Plínio (Fluminense) depois Lauro (Palmeiras), China (Palmeiras), Luis Henrique (Flamengo) e Toninho (São Paulo). T: Antônio Ferreira "Antoninho".

Vs Ferroviário

Três dias depois foi a vez da Vila Capanema sediar o confronto do time olímpico contra o Ferroviário, octacampeão paranaense e que no ano anterior foi o primeiro representante do estado na história do Robertão. Porém, o Boca Negra acabou derrotado por 3 a 1. Com uma formação diferente da do jogo anterior, a seleção olímpica abriu dois gols com Dé, do Bangu, aos 5 minutos do segundo tempo e com Lauro, do Palmeiras, aos 25. Aos 36, Nilzo diminuiu para o time paranaense, mas Toninho ampliou a conta aos 39. 

O Ferroviário, três anos depois, se fundiria com o Palestra Itália e o Britânia para a formação do Colorado, que anos depois se juntaria ao Pinheiros para formar o atual Paraná Clube.

Ficha técnica - FERROVIÁRIO 1x3 SELEÇÃO BRASILEIRA OLÍMPICA
Data: 7 de fevereiro de 1968
Local: Vila Capanema
Árbitro: Valdemar Nader
Público: 10.685
Gols: Dé, Lauro, Nilzo e Toninho.

Ferroviário: Luis Fernando Gursky, Albino Krestschemer, Claro Lázaro (Caçula), Amiton dos Santos e Brando; Renatinho (Luiz Carlos Ferreira) e Nilson; Toninho, Idésio Moreira (Mário Madureira), Nilzo e Humberto MAscarenhas. 

Brasil: Getúlio (Ferroviária-SP), Claudio Deodato (São Paulo) depois Dutra (Bonsucesso-RJ), Almeida (Corinthians), Major (Vasco da Gama) e Jorge (Palmeiras); Tião (Corinthians) e Sá (Bonsucesso-RJ) depois Rui (Fluminense); Plínio (Fluminense) depois Lauro (Palmeiras), China (Palmeiras), Luis Henrique (Flamengo) e Toninho (São Paulo). T: Antônio Ferreira "Antoninho".

Vs Combinado Londrina-União Bandeirante

Este é, ainda que disputado pela seleção olímpica, um dos mais alternativos e aleatórios confrontos que o escrete canarinho já participou. No último jogo de preparação para o pré-Olímpico, no dia 10 de fevereiro, o Brasil encarou um combinado de atletas das equipes do Londrina e do União Bandeirante, clube atualmente afastado do futebol. 

No estádio Vitorino Gonçalves Dias, o tradicional VGD, em Londrina, o combinado paranaense venceu a Seleção por 4 a 2. Lidú, aos 13, e Paquito , aos 30, abriram dois gols de vantagem na primeira etapa. No segundo tempo, Carlinhos, aos 17, e Nondas, aos 18, ampliaram o placar. Manuel Maria, do Fast Club do Amazonas (aos 27) e o palmeirense China (aos 34), evitaram a goleada do time comandado por Antoninho. No primeiro tempo o combinado usou a camisa alviceleste do Londrina, e no segundo, a camisa do União. 

Ficha técnica - COMBINADO LONDRINA-U.BANDEIRANTE 4x2 SELEÇÃO BRASILEIRA OLÍMPICA
Data: 10 de fevereiro de 1968
Local: Vitorino Gonçalves Dias (VGD)
Árbitro: Gilvan Alves de Oliveira
Público: 14.388 pagantes.
Gols: Lidú, Paquito, Carlinhos, Nondas, Manuel Maria e China.

Combinado: Ado (Valdir), Avero (Nenê), Pescuma (Dobreu), Pinduca (Geraldo) e Serafim; Lidú e Charuto (Reginaldo); Nondas, Paquito (Carlinhos), Gauchinho e Souza. T: Aparecido e Muca.

Brasil: Getúlio (Ferroviária-SP), Miguel (Olaria-RJ), Almeida (Corinthians), Guassi (Guarani) e Jorge (Palmeiras); Tião (Corinthians) e Moreno (Palmeiras) depois Sá (Bonsucesso-RJ); Manuel Maria (Fast-AM), China (Palmeiras), Ferreti (Botafogo-RJ), depois Lauro (Palmeiras) e Luis Henrique (Flamengo), depois Toninho (São Paulo). T: Antônio Ferreira "Antoninho".

Vs Coritiba

Também em 1968, no dia 13 de novembro, a Seleção principal enfrentou pela primeira vez na história um time paranaense, o Coritiba, no Alto da Glória.  Vale ressaltar que o Coritiba foi o 14º clube brasileiro a enfrentar o Brasil, e encerrou um hiato de dez anos da Seleção sem enfrentar clubes brasileiros. Em um momento de transição da Seleção, o Brasil foi comandado por Aymoré Moreira, que assumiu de maneira temporária o cargo que seria entregue a João Saldanha no ano seguinte. 

O Brasil, desfilando a base que seria tricampeão mundial dois anos depois, venceu o Coxa por 2 a 1 em jogo que também marcou a entrega de faixas de campeão paranaense. Os gols saíram todos no segundo tempo. O cruzeirense Dirceu Lopes abriu o placar aos 11, Passarinho empatou aos 31 e o também atleta do Cruzeiro, Zé Carlos, marcou o gol da vitória canarinha aos 44 minutos.

Importante lembrar que entre os convocados estava o lateral-esquerdo Nilo, que era do Coritiba mas estava emprestado ao Atlético, que disputou o Robertão daquele ano, sendo um dos destaques do torneio nacional. O jogador participou de 20 minutos daquela partida. 

Ficha técnica - CORITIBA 1X2 SELEÇÃO BRASILEIRA 
Data: 13 de novembro de 1968
Local: Couto Pereira
Árbitro: Armando Marques
Público: 23.624 pagantes 
Renda: cr$ 152.108,00
Gols: Dirceu Lopes, Passarinho e Zé Carlos.

Coritiba: Joel Mendes, Deleu, Roderley, Nico e Ismael; Oswaldo Rossi (José Lucas) e Rinaldo; Passarinho, Dirceu Krueger, Kosilek e Carlos Alberto Silva (Walter Corrêa). T: Francisco José Sarno.

Brasil: Félix, Carlos Alberto Torres, Jurandir, Roberto Dias e Paulo Henrique (Nilo); Rivellino (Dirceu Lopes) e Gérson (Zé Carlos); Paulo Borges (Natal), Jairzinho (Leivinha), Pelé (Tostão) e Paulo César Lima. T: Aymoré Moreira.

Vs Seleção Paranaense

Dez anos depois, em 1978, o Brasil de Cláudio Coutinho resolveu jogar algumas partidas contra seleções estaduais, com o objetivo de se preparar para a Copa do Mundo que seria disputada na Argentina. No dia 22 de março, enfrentou no Couto Pereira a Seleção Paranaense. A renda do confronto foi toda revertida para a construção da sede da FPF no Tarumã, ao lado do Pinheirão. 

Com mais de 50 mil pessoas presentes no estádio, o time com nomes do quilate de Altevir, Hermes, Nivaldo, Edu Coimbra e Aladim conseguiu segurar a seleção comandada por Zico até os instantes finais da partida, quando Rivellino cruzou para o matador Nunes mandar de cabeça para as redes. Apesar da vitória, a seleção foi muito criticada pela atuação abaixo da média. Na Copa do Mundo, o Brasil terminou na 3ª colocação ao vencer a Itália por 2 a 1, depois de ter sido eliminada no saldo de gols pela Argentina, na famosa goleada por 6 a 0 sobre o Peru.

Ficha técnica - SELEÇÃO PARANAENSE 0X1 SELEÇÃO BRASILEIRA 
Data: 22 de março de 1978
Local: Couto Pereira
Árbitro: Airton Vieira de Moraes
Público: 53.078 pagantes 
Renda: Cr$ 2.685.630,00
Gol: Nunes

Seleção Paranaense: Altevir, Hermes, Gilberto, Deodoro e Claudio Marques (Raul); Didi, Rotta (Adilson) e Aladim; Wilton, Bira Lopes (Edu Coimbra) e Nivaldo. 

Brasil: Leão, Toninho, Oscar, Amaral (Polozzi) e Edinho; Toninho Cerezo (Batista), Rivelino e Zico; Tarciso, Reinaldo (Nunes) e Dirceu. T: Cláudio Coutinho.


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