Palmeirinha luta para reconstruir estádio e acabar com “vida cigana”


O Grêmio Palmeirinha Gente da Gente é uma das novidades da Divisão Especial da Suburbana em 2017. O acesso gerou expectativa na comunidade do Tatuquara, bairro da Zona Sul de Curitiba. Mas não será esse ano que a região irá sediar a tradicional competição do futebol amador. O estádio Aníbal Khury, casa alviverde, está em condições lastimáveis.

#SUBURBANA
Por Dudu Nobre e João Heim

Não é de hoje que os percalços acompanham a trajetória do Grêmio. Fundado em 2000, só conseguiu se filiar à Federação Paranaense de Futebol (FPF) 14 anos depois. Nesse meio tempo, os jogadores tiveram que vestir outras camisas para ajudar a levantar o dinheiro necessário para o registro. Os acessos do Olaria em 2008 e do Hauer em 2013 contaram com atletas do Tatuquara.

Filiado, o Palmeirinha conseguiu boas campanhas na Série B: quarto lugar em 2014, quinto e 2015 e vice-campeão em 2016. Resultados expressivos visto que a agremiação não paga salários aos atletas, como afirma o atacante Dolinha - jogador do clube desde a fundação. A sede da agremiação fica na residência do atleta. É lá que os jogadores se reúnem após as partidas e onde ficam os troféus e alguns documentos do clube.



Mas a casa do Grêmio não acompanhou a ascensão do time. Apenas no ano passado a diretoria conseguiu a posse do campo com a Prefeitura Municipal. No entanto, para sediar jogos da Suburbana, o Palmeirinha terá de murar a área, instalar refletores, construir assentos e vestiários, além de um bar para atender os torcedores - esse último não é obrigatório, mas o comércio de bebidas é fundamental para o sustento dos clubes amadores.

Enquanto o Aníbal Khury não fica em condições adequadas, tal como em 2016 o alviverde manda seus jogos no Elba de Pádua Lima, estádio do Grêmio Ipiranga localizado a cerca de 10 km de sua casa. O treinador Daniel Jorge sabe que o ano não será fácil, mas confia que o time possa fazer uma campanha digna na elite amadora.


Para viabilizar a reforma do alçapão, o clube já tem o projeto de como construir a infraestrutura, aproveitando o espaço atrás de um dos gols. No entanto, a questão financeira é um entrave e a agremiação parte do zero.

Para o momento, a estrutura e o entorno do campo do Palmeirinha são complicadas. As grades precisam ser trocadas, estão velhas e enferrujadas e os bancos de reservas são pequenos e estão deteriorados. Em volta, não há bancos ou arquibancadas para acomodar os torcedores, nem vestiários ou outra estrutura coberta para acomodar representantes dos clubes e da federação para os jogos.


A situação mais complicada é a dos banheiros ao lado do campo. As condições são péssimas, há vidro no chão, tudo está sujo e o cheiro é insuportável para qualquer um que adentre o local. O Presidente Claudecir Ramos lamenta a situação em que o estádio se encontra, mas não perde a esperança de realizar esse sonho.

Em meio a um cenário cada vez mais profissional, os clubes amadores lutam para sobreviverem. Muitos não resistem, mas o amor pela camisa do alviverde do Tatuquara faz com que jogadores e diretoria sigam lutando para que um dia o Palmeirinha possa comemorar as glórias futuras junto de seu povo.

ÁLBUM DE FOTOS xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Fotos Aníbal Khury

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