Walter marca, Atlético vence no Couto Pereira e é campeão do Paranaense 2016


A final do Campeonato Paranaense de 2016 foi marcado por algumas quebras de tabus. Muita coisa estava engasgada na garganta do torcedor atleticano, especialmente o grito de "É campeão!", que desde 2009 não era espalhado por Curitiba nas cores vermelha e preta. Mas desde a semana passada, após o massacre aplicado na Arena da Baixada diante do maior rival, voltar a dar a volta olímpica era apenas questão de tempo. De 90 minutos, mais precisamente.

Por Yuri Casari

Nas preliminares, ambas as torcidas fizeram uma bonita festa com sinalizadores luminosos. Quem parecia não gostar muito disso era o árbitro, que prefiro não citar o nome. O impronunciável paralisou a partida outras três vezes por se incomodar com a festa nas arquibancadas. Talvez, estivesse buscando a atenção, que foi devidamente dedicada a um grande nome do nosso futebol. Pouco antes da bola rolar pela primeira vez no gramado do Couto Pereira, o minuto de silêncio dedicado a Zé Roberto, ídolo da dupla Atletiba, falecido no dia anterior, deu lugar a um minuto de aplausos e gritos, ovacionando um dos maiores expoentes da história do futebol paranaense. Dado o apito, o Coritiba, precisando buscar o resultado, partiu pra cima do Atlético com todas as armas que tinha disponíveis. E quase foi presenteado com o gol relâmpago que os coxas-brancas tanto desejavam. Aos 7 minutos, Alan Santos recebe livre na área pela direita. Weverton sai pro lance, mas o volante toca pro meio da pequena área. Extremamente bem posicionado, Leandro, que voltou a ser titular na decisão, se afobou e desperdiçou uma oportunidade extraordinária.


Dois minutos depois, o Alviverde voltou a assustar. Bola na área rubro-negra, Negueba escora pro meio e Ruy desvia, mas não consegue acertar a meta. Mais três minutos no relógio e nova chance para o Coritiba. Ruy resolve arriscar de longe e Weverton chegou a bater roupa, mas foi rápido na reação. Percebendo o crescimento do Coritiba na partida, Paulo Autuori resolveu levantar do banco e passou a dar orientações. Se isso foi efetivo ou não, o fato é que o Atlético passou a buscar o ataque também. E aos 23 minutos, foi a vez do Furacão perder uma chance incrível. Ewandro cruzou rasteiro da esquerda e Walter, com o gol completamente aberto, não pegou bem e mandou pra fora. Será que Walter, que não marcava desde 7 de novembro de 2015 iria manter o jejum de gols? 

Bastou seis minutos para a resposta. Walter recebeu pela esquerda, de costas para a defesa e inverteu o jogo para Jadson. O volante avançou e deu o passe para Ewandro que finalizou. O jovem goleiro Elisson praticou uma belíssima defesa, mas no rebote, Walter estava lá para conferir. A emoção tomou conta do camisa 18, que não segurou as lágrimas. O título estava ainda mais próximo do Atlético!


Próximo do final da primeira etapa, o Coritiba teve um último suspiro para mostrar que ainda poderia surpreender em busca da virada. Ruy deixou Alan Santos na boa, mas Weverton se agigantou mais uma vez para evitar qualquer esperança na torcida alviverde. Já na casa dos 49 minutos, falta no campo de defesa atleticano. Paulo André dá o chutão pra frente em busca de Walter. Reginaldo subiu, mas não encontrou nada. A bola passou pelo lateral e morreu no peito do atacante rubro negro, que dominou a bola, partiu pra cima de Luccas Claro e deu a assistência para Ewandro, outro destaque na fase decisiva, empurrar para as redes e dar números finais ao confronto antes mesmo dos 45 minutos finais.

Só um milagre mudaria o panorama, e muitos torcedores preferiram nem acreditar. Uma parte dos torcedores, principalmente nas sociais, deixou o Couto Pereira no intervalo. Não perderam nada, é verdade. Com o controle do jogo, o Atlético jogou de maneira preguiçosa, sabendo que o tempo era amigo. Sem poder de reação nenhum, o time do Coritiba parecia conformado, o que obviamente refletiu no torcedor. Enquanto isso, o lado rubro-negro comemorava, ironizava, EXORCIZAVA todos os demônios dos sete anos sem título. Nada mais seria capaz de tirar essa alegria.

Fim de jogo! Atlético campeão! E aí, uma festa ainda mais bonita começou. Se em São Paulo, o vandalismo de alguns torcedores e a omissão do Estado impede a divisão de um estádio em um clássico, aqui no Paraná pudemos ver um momento raro no futebol higienizado. A torcida atleticana montou uma cortina de fumaça e luzes vermelhas de encher os olhos de qualquer um. Os coxas-brancas que se mantiveram até o final, cantaram com força a paixão pelo Coritiba, mesmo após a derrota. Mas a noite deste 8 de maio era exclusivamente rubro-negra. Jogadores e torcida se uniram em uma voz só para comemorar. Afinal, desde 2010 se cantava na Baixada:
Vamos, ó meu Furacão; Quero gritar campeão; Vamos lutar por mais esta taça; Vamos, Rubro-Negro com garra e com raça;Não para de cantar!
 Enfim, o desejo pelo grito de campeão foi saciado.

MELHORES MOMENTOS (VÍDEO) xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx




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