O poder de um clássico – paixão e ódio


No último domingo (20), o escrete do Coritiba conseguiu faturar mais um clássico no Paranaense de 2016. Desta vez, além de ser fora de seus domínios, a presa foi o seu maior rival, o Atlético. Com a vitória, o time do Alto da Glória aliviou a pressão e o cargo do treinador foi mantido. Já do outro lado, um “clack boom” (Bomba). Sim, o jogo reverteu a situação e a pressão, que antes era do Coritiba, passou para o lado do Atlético. Então, o Atletiba 328 foi/é um divisor de águas para as duas equipes em 2016? 

Por Rafael Buiar


No futebol, o clássico é quando há uma partida entre dois times carregados de rivalidade e que partilham aspectos em comum, que na maioria das vezes é a cidade que representam e entre outros. Ainda no futebol, episódios que ganham contornos dramáticos viram clássico. Por isso, sou muito convicto em dizer que a paixão e o ódio estão muito próximos, ainda mais quando fala de futebol. Essas premissas foram destacadas uma semana antes do embate do Atletiba, como declarações polêmicas de ambos os lados, matérias especiais, números e entre outros atributos que foram alimentando cada vez mais o maior clássico paranaense.

O ponta pé inicial do clássico foi a partir da derrota do escrete do Coritiba para o Jotinha, que com o revés jogou praticamente fora a chance de encostar nos líderes ainda na primeira fase. Derrota que abalou todo o ambiente e que tirou alguns atletas que estavam com fome de bola e ao mesmo tempo com a chance de consagrar-se com a torcida, como a expulsão de Ortega. Sem deixar de lado, a provocação da torcida que ocorreu durante os dias. 

Do outro lado, o Atlético estava com o ambiente leve já que está na semifinal da Copa Sul-Minas-Rio e estreou o treinador Paulo Autuori no Paranaense de 2016 com uma goleada em casa e, melhor, com um futebol bem diferente das últimas rodadas. Mas se formos bem críticos, o PSTC não é parâmetro para isso, com todo respeito a equipe de Cornélio Procópio. Mas a torcida não quis saber disso e ficou de bem com a vida. Mesmo com o empate no meio da semana em outra competição.


Assim, com um lado pressionado pela torcida, com treinador ameaçado do cargo e um futebol que oscilou muito no campeonato, fez a torcida ficar preocupada. Totalmente diferente do seu rival Atlético, que com um time praticamente renovado de espírito, após a saída do treinador Cristóvão Borges, acabou com jejum de jogos sem vencer no Paranaense. Ingredientes que movem paixão e ódio dentro do futebol. 

Mas é aquela, o futebol é jogado, blá blá e o resultado pode ser uma caixinha de surpresa. Deixando claro, que nada é exato quando a sensibilidade está envolvida. Fato que foi destacado quando a bola rolou na Arena da Baixada, em que o time visitante estava jogando como se fosse em casa e o time da casa, nervoso. Mesmo com a imensidão da torcida atleticana empurrando. Passados os primeiros 45’, ambos os escretes não conseguiram abrir o placar.

Em compensação, na segunda etapa foram necessário menos de 30’ para a casa cair no lado atleticano e ser reconstruída no lado alviverde. Com mais 8’, o Xeque Mate Alviverde, mesmo com a polêmica do lance. Fato que não gerou questionamento da torcida atleticana em relação a jogada. Mas, pelo contexto geral de como o time estava no clássico, a torcida não perdoou e, ainda durante o embate, insultou gritos ao escrete e a diretoria atleticana. Confesso que poucos se safaram das críticas. Acabou o amor? Fato que só ajudou o time visitante a encerrar o embate com o placar a seu favor.

Mas quem disse que iria parar por aí, só os protestos, está enganado, pois além das diversas críticas pelas Redes Sociais, que praticamente não pouparam ninguém, os torcedores tramaram um manifesto no aeroporto. Ato que gerou muita tensão e, claro, muita confusão na última terça-feira (22).


Com tanta emoção à flor da pele nos últimos dias, o Atletiba foi o ‘boom’ para o Atlético, que com tanta raiva jogada para fora deu a entender que estavam confiantes no triunfo do último domingo, devido a situação do adversário, por parte dos torcedores. Mas a equipe Alviverde explorou bem as deficiências atleticanas, principalmente pelas laterais (Roberto e Eduardo) e também o lado emocional dos atletas. Por isso, o time do Atlético necessita de mudanças nesses pontos cruciais e trabalhar o psicológico para o Furacão ter mais gana de vencer, principalmente, o Atletiba - pelo menos teremos mais dois esse ano, no Campeonato Brasileiro. Time o Atlético tem, basta querer jogar como um.

No lado coxa branca, só risadas e momento de comemorar. Mas Kleina deixou avisado – “A equipe está em construção, passa por oscilações, mas fizemos dois clássicos impecáveis". Ou seja, torcedores Alviverdes fiquem com os pés no chão, pois o trabalho continua.

NÚMEROS - A vitória do último domingo (20) deu um gás para o Coritiba, que além de ultrapassar o rival na tábua de classificação conseguiu aumentar a diferença de triunfos em Atletibas, chegando a 28 triunfos a mais do que o Furacão nos confrontos diretos, ápice do desequilíbrio nos números do clássico. Sendo essa, a maior diferença de toda a história do clássico.


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