A volta de um gigante do futebol amador de Curitiba


Acorda Maria Bonita, acorda pra fazer o café, comer um arroz com ovo, mas o Fortaleza ainda tá de pé…”. A música da torcida Jovem Forta no fim da grande decisão resume a situação do Fortaleza no dia 28 de março, quando começou a X Copa Paraná. Uma campanha marcada por lembranças que foram o combustível do time.


Por Dudu Nobre
A dificuldade era visível, pois há três anos o tricolor não disputava nenhum campeonato. Mas naquela tarde o time estava em pé, de volta aos gramados, de uma ideia que partiu dos jogadores, a maioria cria do Jardim Gabineto, que torceram pelo tricampeão da Série B nos anos 90 e queriam repetir o feito de seus ídolos, que os inspiraram dentro de campo ou, em certos casos, também dentro de casa.

Para comandar a equipe um treinador jovem, mas com sede de vencer um título que escorreu de suas mãos em 2009. Outros membros do elenco também sofreram com um vice campeonato da Copa Paraná em 2011, em que o time perdeu pontos por conta de “agressão sofrida pelo presidente da APE dentro de campo por atletas do EC Fortaleza” (Ato Administrativo nº 06/2011). O fantasma do vice e a fama de “pipoqueiros” assombraram o grupo mas ao mesmo tempo uniram o time.

Mas em nenhum momento da competição os jogadores ficaram sozinhos. Eram apoiados por torcedores e torcedoras que não incentivam um time, mas o representante de uma comunidade inteira, que coloca o Jardim Gabineto nos jornais não pela violência, mas pelo espetáculo no morrão e pelos feitos no gramado. Os moradores estavam com saudade disso.



Todos esses ingredientes colaboraram para uma boa campanha na primeira fase. Sete vitórias, dois empates, 30 gols marcados e cinco sofridos. Mas veio a fase eliminatória, e todo o trabalho poderia ser queimado em dois jogos. O time entrou ligado em Pinhais, com dois gols no início do jogo e vitória por 4 a 1 em cima do Gera. Um empate em casa garantiu o Forta na decisão.

Mas faltava o teste final contra o Vera Cruz. Os fantasmas do passado eram recorrentes, mas a vontade de eliminá - los era maior. Havia uma vantagem ao tricolor em relação aos anos anteriores: A decisão seria diante do seu povo. Mas o apoio da massa aconteceu nos dois jogos. Invasão tricolor em Araucária. Mais uma atuação vibrante: 3 a 2. Faltava um passo para a redenção.


A comunidade do Gabineto fez a parte dela, uma festa regada a fogos e cores. Mas quem marcou foi o Vera Cruz. O gol deixou uma pulga atrás da orelha: será que os fantasmas iriam retornar e a história se repetir? Mesmo com a dúvida, o torcedor do Fortaleza não parou de cantar e deu a força que o time precisava. O destino tratou de escolher pontualmente os artilheiros do Forta.

Tiquinho empatou. Um gol para seu falecido pai, campeão nos anos 90. Sinal de que os tempos gloriosos estavam retornando. Djonatan virou e Roberto sacramentou. Ambos foram punidos pelo episódio de 2011. Marcados pela dor do quase, afundaram o temor de um desastre dentro do barbante.

Fim de jogo. Fim dos fantasmas. Festa do povo. O grito ecoou pela comunidade. Em tempos ruins, o Gabineto se uniu, batendo no peito pra dizer que o Fortaleza voltou. Gigante e campeão.


__________________________________________
É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso,
desde que citada a fonte.