Sim, os estaduais são bem vindos para os times do interior


A conquista do escrete de Ponta Grossa não só selou como o primeiro título do time de mais de um século, como também a prova que o Campeonato Paranaense é um dos mais alternativos do cenário nacional. Exemplo que pode ser destacado pela última década, já que três clubes de cidades diferentes, em relação a Curitiba, levantaram o caneco. Além de conquistas inéditas, outro ponto que pode ser enaltecido é que o estadual ainda tem o seu valor. (Foto: Gazeta do Povo)

#COLUNA DRAP
Por Rafael Buiar


Nos últimos 10 anos, o Campeonato Paranaense foi decidido por nove equipes de quatro regiões do estado do Paraná. Destaque para o Coritiba que esteve presente em maior parte delas, mas o foco não é enaltecer o futebol de clubes de Curitiba e sim o ressurgimento dos times do interior do Paraná. Ao todo, em mais de 100 edições do Paranaense apenas 13 foram para o interior. 

Analisando pela última década, quatro clubes do interior chegaram a final. Mas apenas três venceram: Atlético Clube Paranavaí, Londrina Esporte Clube e Operário Ferroviário. O que essas conquistas têm em comum? Simples! Além de desbancar times da capital, o grande envolvimento da cidade com time.



O que veio pra celebrar os últimos anos do Campeonato Paranaense foi a conquista digna do Operário Ferroviário no certame deste ano, que aconteceu no último domingo (03). Em mais de 100 anos desde a fundação, o time de Ponta Grossa esperou por esse momento. Tempo suficiente para a torcida ser presenteada com uma excelente campanha.

Das 17 partidas disputadas, o time de Ponta Grossa perdeu apenas três. Dentre essas, apenas uma no Estádio Germano Krugger. Mas a única derrota do Fantasma dentro de casa foi fundamental para a conquista, pois na quarta de finais, o mesmo adversário, Paraná Clube, não teve forças para eliminar o Operário da competição. Outra derrota que serviu de lição para o escrete de Ponta Grossa foi a de terceira rodada para o Coritiba, que foi respondida na final, com o placar de 5 a 0 no agregado.



Foto: Gazeta do Povo
A conquista foi surpreendente pelo fato de que no ano passado o time do Operário disputou o Torneio da Morte. Por isso, a torcida não esperava muito nesse ano. Mas mesmo assim, o amor falou mais e a torcida se fez presente para empurrar o time até a final. Enquanto isso, o número de sócios do Operário Ferroviário só aumentou. Graça a Deus, dizem os diretores do Operário Ferroviário.

Em 2012, o time do Londrina fez ótimas apresentações. Tanto no Estadual, quanto no Campeonato Brasileiro Série D, que bateu na trave. Ou seja, 2013 foi o ano do quase. Fato que provou que desde a volta a elite no Paranaense, há um planejamento na equipe do norte do Paraná. Um bom exemplo disso é a manutenção de Cláudio Tencatti a mais de quatro anos no comando da equipe do LEC. Sabendo disso, time e torcida andaram juntos em 2014. Não deu outra, o Tubarão conquistou tudo o que tinha de direito, o título de Campeonato Paranaense e o Acesso para a Série C do certame nacional. Além disso, outro ponto que fez a agremiação Londrina Esporte Clube estar entre os melhores do Paraná foi a torcida acreditar no projeto do homem forte do Londrina, S. Malucelli. 

Com essas conquistas, quem ganhou mais foi o clube, pois o principal aumento foi na torcida, que hoje está no segundo lugar, ficando atrás somente do Corinthians. O Tubarão tem 11,1% da preferência dentro da sua cidade. A pesquisa anterior, de dezembro de 2012, indicava 2,6% de torcida do LEC. Ou seja, segundo a pesquisa, a torcida do Londrina quadruplicou em dois anos e meio. 
Foto: Gazeta do Povo
Esse ano, com o futebol diferente do ano passado, caiu na semifinal diante o Coritiba. Mas o que se viu foi mais uma vez a torcida presente, lado a lado com clube. Mesmo assim, o primeiro semestre do Tubarão foi coroado com o título do interior diante o Foz do Iguaçu.

Um ano antes da conquista do Paranavaí, em 2006, o interior bateu na trave com o Adap, pois a equipe de Campo Mourão não conseguiu vencer o Paraná Clube nas finais. Sendo essa, a última conquista do Tricolor da Vila Capanema. Em 2007, o Vermelhinho do fim da linha passou por todos que estavam a sua frente e conquistou o seu único título. Deste escrete saíram boas peças para o futebol paranaense e nacional. Um bom exemplo disso é o goleiro Vanderlei, que hoje está no atual campeão Paulista (Santos). 


O escrete do Paranavaí venceu o primeiro jogo no Estádio Waldemiro Wagner e segurou em Curitiba com um empate. Resultado que ajudou no primeiro título de campeão estadual para a cidade de Paranavaí. A conquista teve sabor especial, com uma invencibilidade de nove jogos contra o "trio-de-ferro da Capital". O outro ponto para colocar em destaque/pauta é que o primeiro jogo fez a diferença. Assim, como as outras conquistas das outras equipes do interior.



Nas fases finais, o público de mando do Paranavaí foi cerca de 40 mil em dois jogos no Waldemiro Wagner. Número que demonstra que a torcida comprou a ideia e foi até o fim para ajudar o Vermelhinho para na conquista. O homem forte do ACP, Furquim, enalteceu a conquista do ano de 2007. “Hoje chegamos ao título que não é só importante para o Paranavaí, mas também para o noroeste do Estado", disse em entrevista para a Gazeta do Povo.



Foto: Diário do Noroeste
Motivos como esses fazem com que aquela balela de que os estaduais tem que acabar seja desprezado, pois este tipo de competição alimenta cidades que tem times tradicionais, de torcidas, ficarem ainda mais ouriçados. Com isso, a velha e boa rivalidade de clubes das cidades do interior tem tido mais evidência no cenário. Um grande exemplo disso é a labareda que foi acesa entre torcedores da região de Londrina, Maringá e Ponta Grossa, que estavam carentes desse sentimento. 

Além desses artifícios, o comércio também agradece, pois nas “idas e vindas” de clubes/torcidas de outras cidades, o caixa das cidades anfitriãs ganham um trocado. Outro ponto relevante são dos patrocinadores locais abrirem os olhos e repensarem que podem ser colocada sim, a marca na camisa do time da cidade. Nas três últimas conquistas, os três clubes tiveram empresas das cidades estampadas na camisa.

Conquistas como essas colocam em cena e deixa ainda mais claro que não existe apenas o “Trio de ferro” no Paraná. O cenário nacional necessita saber que existem “clubes menores” que podem chegar e fazer uma bagunça. Não o que houve com o Paranavaí, que depois que foi campeão sumiu do mapa e que hoje está na Divisão de Acesso lutando para subir. Por outro lado, o que tudo indica é que o caminho para o time de Ponta Grossa será outro. Esperamos que sim, pois o futebol paranaense precisa de mais conquistas como essa. O interior agradece!


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