O sonho de moleque ainda persiste


O Do Rico ao Pobre retoma com a série "Histórias da Suburbana", com mais uma entrevista. A bola da vez é o sargento, e atacante do Imperial Futebol Clube, Cristiano Castelli (23). O camisa 11 conta a trajetória desde o início de sua carreira até os dias atuais. Confira e descubra mais sobre o atacante:

#ENTREVISTA
Por Rafael Buiar

Nunca é tarde para fazer o que se gosta e buscar o seu sonho. Pois é, essa é a filosofia que Cristiano Castelli adotou, em menos de seis anos de carreira. A primeira experiência do atacante foi nos campos aos 15 anos, na escolinha do Paraná Clube, no bairro do Tarumã. Adolescente, já alimentava sonhos de gente grande. Com dedicação e vontade, a experiência na escolinha já rendia bons frutos e o aproximava ainda mais do desejo de moleque: se tornar um jogador profissional. 

A base - Depois de dois anos atuando na escolinha do Paraná Clube, surgiu a primeira oportunidade de promoção a um clube de estrutura, o Trieste. Chegando na equipe do bairro Santa Felicidade com 17 anos, o atacante ainda relembra como a aquela experiência de base foi importante. “O pouco tempo que passei no Trieste foi essencial para a minha formação como atleta, pois sabemos que a base do Trieste é exemplo a ser seguido em qualquer clube do futebol amador. Além de me ajudar nos primeiros passos com o futebol, conheci o mundo da Suburbana, o qual eu ainda não sabia diferenciar e encontrar a verdadeira riqueza desta competição”, destaca Castelli.

Foto: Arquivo Pessoal
Os seis meses no time da colônia fizeram com que o seu futebol ficasse mais maduro e obtivesse mais visibilidade. Assim, não demorou muito para que outro clube se interessasse. O time da vez foi o Coritiba, que ficou interessado em seu futebol e fechou contrato logo, mesmo sem assessoria e não tendo ligações diretas com empresários. Talvez esse fosse o grande desafio do jovem de 18 anos, pois a responsabilidade já era grande. 

Segundo Castelli, foi no time alviverde que conquistou a ascensão de seu futebol. “A passagem pelo Coritiba foi uma das melhores nos clubes que passei até aquele momento, mas o ano de 2010, em que subi para a categoria Junior e que iria disputar a Taça de Belo Horizonte, alguns empecilhos apareceram e dificultaram a minha passagem no time do Coxa”, comenta o atacante.

Foto: Arquivo Pessoal
Momento difícil - A dúvida que surgiu em 2010 foi entre escolher a carreira de jogador ou a de militar. Até aquele momento, o plano de continuar atuando como atleta profissional seguia com êxito, mas a maioridade o obrigou a se alistar. Para mudanças de todos os seus planos, o atacante teve que seguir carreira militar e foi forçado a deixar de lado o sonho de ser jogador de futebol naquele ano. 

Assim, o Coritiba foi obrigado a liberar o atleta. “Na verdade eu não acabei escolhendo esta opção de servir, eu tentei fazer ao máximo, solicitei ao Coritiba, levei todas as declarações para o exército. Porém, eu não consegui escapar do serviço obrigatório. Isso foi o que me dificultou a minha carreira profissional. Acredito porque o ano é obrigatório e iria ficar este período fora dos gramados e esse tempo já ia fazer com que eu caísse muito, principalmente, no quesito físico”, desabafa Cristiano. No Coritiba, Cristiano foi atleta do professor Tchuca, que é recordado até hoje pelo atleta. Com o sonho interrompido momentaneamente, o desejo de ser um atleta profissional permaneceu em seu interior, pois, como disse o próprio atacante, "os sonhos nunca morrem". 

O recomeço - Já no exercito, Cristiano sempre se preocupou em manter o foco no futebol. Desta forma, o ponta continuou praticando o esporte mais comum do mundo nas dependências do exército. O atacante chegou até participar de vários campeonatos e ser artilheiro de alguns certames. “No ano que entrei de recruta fiz a peneira e comecei a jogar pelo time do exército e coincidentemente fui artilheiro e campeão deixando a minha marca. Tanto que o meu quartel nunca tinha sido campeão nos 80 anos de existência. Fato que aconteceu em 2010 e 2011”, declara o atacante.


Foto: Arquivo Pessoal
Passado o período de alistamento, a possibilidade de voltar aos gramados não seria nada fácil para Cristiano. Mas a persistência e o encontro com o professor Davi Miranda, treinador do time júnior da Sociedade Esportiva Barigui Seminário, na época, ajudaram a mudar a história. Ao aceitar o convite de jogar a segunda divisão do futebol amador de Curitiba pelo Barigui, o ponta voltou ao cenário da Suburbana. Após a primeira fase do campeonato, Cristiano se destacou na maioria dos jogos, mesmo a equipe do Barigui não conseguindo um bom desempenho e não se classificando para segunda fase. A oportunidade do ex-recruta rendeu, pois sua ótima atuação lhe proporcionou uma vaga no time principal, onde permaneceu por mais dois anos. 

A recordação deste período será eterna, assim como a gratidão ao treinador, que na época também era diretor do Colégio Estadual João Turim. Quase quatro anos depois, Cristiano mantém contato com o 'eterno' professor, já que o atacante tem muito respeito pela pessoa de Davi Miranda. “Mantenho contato, pois no ano de 2010 recebi a oportunidade e pude aos poucos aliar o exército com o futebol da suburbana. Por isso, sou muito grato e agradeço a esta oportunidade. Davi foi quem me ajudou muito, tanto na experiência no futebol e como pessoa”, afirma Castelli.

Foto: Arquivo pessoal
A luta - Por fim, o ano de 2013 pode ter sido a alavancada que o atacante precisava. No ano passado, disputou a Copa Baselog, realizada nas dependências do Imperial, ainda pela equipe do Barigui Seminário. A sua ótima apresentação nesta competição teve destaque. E querendo mais, o treinador do time do bairro Mossunguê na época, Haroldo José, interessou-se pelo garoto de 22 anos. Não demorou muito para Cristiano acertar os detalhes finais e vestir camisa da equipe tricolor.

Agora, o Sargento, e atacante, Castelli está no seu segundo ano pela equipe do Imperial e mostra orgulho em vestir as cores azul, branca e vermelha. Sempre agradecendo ao presidente, Marcelo Kloss, pela oportunidade concebida. "Hoje estou no quartel por vontade própria. Nos dias da semana, eu trabalho e no final de semana, jogo com a camisa tricolor. O time e casa foram fundamentais para a renovação de contrato, pois me agrada muito jogar com a camisa do Imperial. Por isso, tenho como meta disputar a Série A no ano que vem e brigar pela bola de ouro, sempre fazendo os meus gols”, comenta o jogador.

Foto: Do Rico ao Pobre
Sendo militar, o jogador é conhecido pelo sobrenome Castelli no grupo dos jogadores do Imperial, principalmente por ter a patente de sargento. Mesmo assim, o atacante afirma que, dentro de campo, o militarismo não reflete sua atuação, já que Cristiano adota outra filosofia. “Nas quatro linhas não levo o lado militar, pois prefiro jogar com felicidade, alegria e procurar, inclusive, amizades com os próprios adversários da partida”, comenta Castelli. 

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