Maradona, o melhor da Copa de 1986


A poucos dias de iniciar a Copa do Mundo no Brasil, o Do Rico ao Pobre conclui a série 'o melhor da Copa' com nada mais que um dos melhores camisas 10 de toda a história do Futebol. Para alguns, o sucessor de Pelé, pois Diego Armando Maradona é considerado o melhor de todos os tempos. Alguns dos principais argumentos que alimentam este assunto é a emblemática atuação de 'El Pibe de Oro' na Copa do Mundo de 1986, em que foi considerado 'o melhor da Copa'. Confira como que foi a atuação do baixinho, marrento e polêmico no 2º Mundial do México: 

Por Rafael Buiar

A Copa do Mundo ficou órfã de um rei desde a edição de 1970, em que Edson Arantes do Nascimento e companhia ajudaram a Seleção Brasileira a levantar o caneco depois de oito anos (1962). Passada a conquista do tricampeonato do Brasil, o Rei Pelé aposentou-se da camisa amarelinha. Deste modo, o maior torneio mundial de futebol teve atletas geniais, como o holandês Cruyff, o alemão Beckenbauer e entre outros jogadores, mas não o suficiente para ocupar o trono de Rei. Com isso, eis que surgiu a dúvida, pois em 1986 um atleta argentino, marrento e baixinho, colocou uma interrogação nos críticos da bola. Será ele o sucessor do Rei Pelé. Pois é, para muitos, Diego Armando Maradona foi e para outros apenas mais um genial da bola. Mas a única certeza que ficou é que a Copa do Mundo de 86, realizada no México, teve a honra de apresentar mais um camisa 10 clássico do futebol para o mundo, como ocorreu em 1970 com Pelé. O meio campista já havia impressionado no Mundial de Juniores em 1979, no Japão. Por isso, o mundo da bola já tinha pinta que ele seria além de uma aposta. Desde então, os olhares foram outros para o baixinho marrento.

Foto: Arquivo
A Copa de Maradona, o 'Barrilete' Cósmico
Na Copa de 86, o seu futebol apareceu logo na partida de estreia contra a Coreia do Sul, com duas assistências. Sendo que a primeira foi aos seis minutos, em que o camisa 10 cobrou a falta, que bateu na barreira, mas mesmo assim deu tempo o suficiente para lançar a Valdano. O atacante dominou e fuzilou o goleiro coreano, abrindo o placar no Estádio Olímpico, na Cidade do México. Na sequência, 12’ depois, Maradona cobrou outra falta na medida para seu companheiro, que só teve o trabalho de concluir para o gol. Assim, com o placar em 2 a 0, o segundo tempo retornou e logo no primeiro minuto da etapa complementar, Maradona apareceu novamente. Desta vez, o camisa 10 em jogada individual, passou por três adversários e chutou, mas no rebote o atacante Valdano fez o terceiro. Ou seja, nada mal em uma estreia, né Maradona? No entanto, o seu primeiro gol no mundial só aconteceu diante a atual campeã da época, a Itália. Claro que o gol iria acontecer em um jogo cheio de holofotes. A equipe da argentina sofreu o primeiro gol, mas a genialidade do baixinho fez com que o placar da partida terminasse empatado. O gol aconteceu aos 34’ da primeira etapa, em que Valdano, pela direita, lançou para Maradona, que com um toque simples, mas genial, quase que na linha de fundo, surpreendeu Galli e deixou tudo igual no placar do Estádio Cuauhtemoc, em Pueba.

Foto: Taringa.net
A terceira e última rodada da primeira fase da Seleção da Argentina foi diante a Bulgária, que até aquele momento não tinha vencido ninguém. Por isso, os búlgaros tiveram pouco interesse na partida. O primeiro gol aconteceu logo nos primeiros minutos de bola rolando. Devido a isso, o confronto teve certa acomodação da equipe sul-americana, mas mesmo assim, o camisa 10 não quis o sossego e aos 34’ do segundo tempo ajudou a mudar o placar. Maradona deu um drible de meia lua em Jeliazkov e, da ponta esquerda, ergueu na área para Burruchaga escorar de cabeça, sem chances para Mikhailov, que foi buscar a bola no fundo das redes. Com esse resultado, a Seleção da Argentina ficou em primeiro no grupo e classificou-se para a segunda fase. Assim, o embate da fase seguinte, a oitava-de-final, foi contra uma seleção do mesmo continente, ou seja, um clássico sul-americano, o Uruguai. Sim, novamente ele foi fundamental para o triunfo de sua seleção. Maradona iniciou jogada aos 41’ do primeiro tempo, no meio de campo, e ao driblar dois adversários tocou para Batista, que lançou Burruchaga para cruzar na medida para Valdano que não alcançou, mas Pasculli chegou a tempo e fez o único gol da partida na cidade de Pueba e classificou a Argentina.

A cartada de campeão da seleção da argentina aconteceu em um emblemático duelo das quartas de final contra a poderosa Inglaterra. Pode ter certeza, que este embate foi a sagração do Rei, para alguns críticos da bola. O principal argumento em relação a isso foram os dois gols do camisa 10 diante os ingleses, ambos no segundo tempo. O primeiro, polêmico, em que o camisa 10 arrancou em direção à área e tocou para Burruchaga. O zagueiro inglês interceptou e aliviou, mas não afastou o perigo 100%. Por isso, Maradona percebeu e subiu com o arqueiro Shilton e com um toque sutil com as mãos desviou para as redes. Depois da polêmica, o camisa 10, apresentou um dos mais bonitos gols já feito em Copa do Mundo e a certeza, para os críticos da bola, que era o novo Rei. Maradona recebeu ainda em seu campo, e com uma jogada de corpo tirou dois ingleses do lance. Na sequência, arrancou em velocidade, passou por mais dois zagueiros e para finalizar ainda teve mais frieza, já que driblou o goleiro Shilton e tocou para o fundo das redes. Próximo do fim da partida, a seleção inglesa diminuiu, mas não o suficiente para avançar a semi-final.



Depois de sua antológica apresentação no embate da quartas de final, o camisa 10 teve outro desempenho digno de um Rei. A essa altura na competição, o moleque estava todo solto e empolgado para a partida contra a Bélgica. Não deu outra, pois ao 6’ do segundo tempo Burruchaga recebeu na direita e tocou para Maradona, mesmo na corrida com dois zagueiros, que conseguiu tocar por cima do goleiro Pfaff. Minutos depois, o meio campista Maradona recebeu na intermediária, passou por quatro marcadores e com apenas três toques na bola fez o segundo gol, decretando o placar final da partida no mesmo palco do tricampeonato do Brasil, Estádio Azteca. Após a classificação para a final, chegou a finalíssima diante a Alemanha, outra potência europeia. Agora, o buraco era mais embaixo. Mesmo assim, Maradona foi essencial para a conquista do bicampeonato da Argentina. A seleção Albiceleste abriu o marcador e na sequência ampliou. Diferença em gols que não durou por muito tempo, pois a Alemanha empatou. Igualdade no placar que foi até os 35’ da etapa complementar, pois Diego Armando Maradona, ainda em seu campo e cercado por dois alemães, lançou Burruchaga. O atacante, mano a mano com zagueiro, ganhou na velocidade e na área chutou na saída do goleiro Schumacher, selando a vitória e o segundo título mundial da Argentina. Assim, com a ótima atuação de 'El Pibe de Oro' na Copa de 1986, os "críticos da bola" tem como principal argumento para defender a 'tese': Maradona foi melhor que Pelé. Você leitor do Do Rico ao Pobre concorda? Quem foi o melhor jogador, Maradona ou Pelé?

Títulos de Maradona
Copa do Mundo Sub-21, em 1979
Boca Juniors, em 1981
Barcelona (Copa do Rei), em 1983
Copa do Mundo no México, 1986
Nápoli, 1987
Copa Itália, 1987
Copa UEFA, 1989
Nápoli, 1990
Supercopa Italiana, 1991 e 
Copa A. Franchi, 1993.


__________________________________________
É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso,
desde que citada a fonte.