Paolo Rossi, “o melhor da Copa” de 1982


A Espanha demorou aproximadamente 18 anos para sediar uma Copa do Mundo. Assim, só em 1982 o país da Fúria pode ser sede do maior campeonato de futebol do mundo. Os espectadores da Copa do Mundo de 1982 tiveram a honra de acompanhar um dos melhores esquadrões da história da Seleção Brasileira. Sócrates, Falcão, Zico e outros talentosos vestiam a camisa amarelinha naquele ano. Apesar disso, o Brasil caiu nas quartas de final para a ‘Azzurra’ em um dia atípico, o que impossibilitou que o título de melhor jogador da copa ficasse com um dos brasileiros. E aí, um italiano entrou de fininho e roubou a cena no final da competição. Além do título e da artilharia, o camisa 20 também foi premiado como o Melhor da Copa naquela edição.

#HISTÓRIAS DO FUTEBOL
Por Rafael Buiar

Na Copa anterior, em que a seleção Argentina foi campeã, a formula de disputa foi diferente em relação a da Copa na Espanha. A mudança para o torneio de 1982  foi devido ao número maior de seleções, pois de 16 foi para 24. Sendo que cada continente ganhou uma vaga, como Ásia/Oceania, África e América Central/Norte, que passaram a ter duas. Assim, o continente da América do Sul ficou com quatro seleções, incluindo a campeã Argentina, e a Europa, com 13, incluindo o país sede, Espanha. Devido a isso, aconteceram várias críticas, a principal foi por causa do acréscimo de seleções. O argumento utilizado para essa crítica foi que a qualidade do torneio iria cair por causa de seleções "fracas", como Argélia, Camarões, Kuwait, Nova Zelândia, Honduras e El Salvador, que foram vistos como o saco de pancada da vez. Dentre essas seleções, apenas o El Salvador havia disputado a Copa do Mundo, em 1970.


Foto: tumblr interleaning
Do outro lado, a Copa do Mundo na Espanha teve atletas de tirar o chapéu pela ótima qualidade. No mínimo dez excelentes arqueiros, como Zoff (Itália), Schumacher (Alemanha), Koncilia (Áustria), Fillol (Argentina), Pfaff (Bélgica), Shilton (Inglaterra), Arconada (Espanha), Pantelic (Iugoslávia), Jennings (Irlanda do Norte) e Dassaev (União Soviética). Além dessas “luvas de ouros” não faltou candidato para ser “o melhor da copa”, pois a competição teve Antognoni (Itália), Cubillas (Peru), Boniek (Polônia), Platini (França), Breitner (Alemanha), Keegan (Inglaterra) e Falcão (Brasil). Acima desses jogadores, só dois ícones do futebol mundial, Zico (Brasil) e Maradona (Argentina), que estavam no seu melhor momento na carreira. Desta maneira, os favoritos para erguer a taça de 82 eram três seleções. A Argentina, por ser a atual campeã, o Brasil por ter formado um dos melhores esquadrões de todos os tempos e a Alemanha, que manteve a base e acrescentou alguns craques novos. Por isso, ocorreu uma surpresa quando ‘pintou’ um atacante italiano, que aos poucos levou a 'Azzurra' ao topo.

Rossi, o carrasco do Brasil
A copa para o italiano Paolo Rossi começou no dia 5 de julho de 1982, pois neste dia foi que a estrela do atacante brilhou. Nessa altura, a competição já estava nas quartas de final. Antes disso, a Seleção da Itália conseguiu três empates. O primeiro contra a forte Polônia em 0 a 0, o segundo contra a seleção do Peru, em 1 a 1 e o último contra a seleção de Roger Milla (Camarões), também em 1 a 1. Assim, com a mesma pontuação que Camarões, mas com um gol a mais, a Azzurra foi para a quartas.

No limite para se classificar, a Itália pegou o grupo mais difícil na fase seguinte. O primeiro duelo foi nada menos que a atual campeã, a Argentina.  Fato que não botou medo para os italianos, pois a equipe venceu por 2 a 1. Embate que foi considerado o mais violento da Copa, devido ao alto número de faltas na partida. Por fim, chegou o dia da “estreia” de Paolo Rossi, o embate contra a seleção brasileira.  Neste duelo, só um empate já garantia a seleção canarinho para a próxima fase, já que venceu por 3 a 1 os argentinos, ou seja, os atacantes da Itália tinham que estar afiadíssimos para seguir na competição. Não deu outra, logo aos 5’, Cobrini, cruzou do bico da grande área e Paolo Rossi surgiu entre Luizinho e Júnior para cabecear na pequena área e abrir o marcador. Minutos depois, o duelo ficou empatado, já que o Sócrates deixou o dele. Empate que não ajudava a Itália, por isso, novamente, Paolo Rossi, desempatou.  O atacante aproveitou a falha do meio do campo do Brasil e chutou no ângulo. No segundo tempo o Brasil empatou com Falcão.


Após quatro minutos, em uma cobrança de escanteio, Sócrates tentou afastar em disputa pelo alto com Scirea e a bola caiu na meia lua. Tardelli, de Costas para a trave, chutou a gol. A bola foi na direção de Paolo Rossi, que desviou para as redes e selou classificação da Itália. A vitória é lembrada até os dias de hoje como uma das maiores injustiças do futebol mundial, que é chamada de "A Tragédia de Sarriá". Passado o embate contra o Brasil, chegou a semifinal entre Itália e Polônia – a quinta colocada na copa anterior. Mesmo assim, a Itália foi pra cima. Aos 22’, Antognoni cobrou falta para pequena área e Paolo Rossi surgiu entre dois zagueiros e tocou para o gol. Com isso, muito nervosismo do time polonês, que passaram a bater-nos camisas azuis. Devido a isso, um dos articuladores da Azzurra, Antognoni, saiu lesionado. Porém, em um contra-ataque veloz da Itália. Altobelli lançou Bruno Conti na esquerda e o mesmo cruzou na medida para Paolo Rossi, livre, escorar de cabeça ampliando o placar, no Estádio Camp NouO triunfo diante a Polônia classificou a Azzurra para a finalíssima contra a poderosa Alemanha

Assim, em um duelo muito equilibrado, o primeiro gol foi sair só na segunda etapa, em uma falta próximo da área. O meia campista Tardelli cobrou rápido para o defensor Gentile, que na direita cruzou à meia altura para Paolo Rossi, que antecipou se a Kaltz e cabeceou para baixo vencendo o excelente goleiro SchumacherDepois de abrir o placar, a Azzurra se soltou mais e conseguiu fazer dois gols, mas nenhum de Paolo Rossi, que foi o artilheiro do mundial com seis gols em sete jogos. Próximo do final da partida, a Alemanha diminuiu, mas sem poder de reação não conseguiu empatar. Com isso, a Itália, que pouco foi mencionado à favorita do mundial, conquistou o tricampeonato graças ao estrelismo de Paolo Rossi.
FINAL DE CARREIRA
Três anos após a Copa de 82, Rossi deixou a Juventus e transferiu-se para o Milan, mas devido aos velhos problemas (joelho) não rendeu como o esperado. Assim, o carrasco do Brasil marcou apenas dois gols com a camisa rossonera.  Mesmo assim, Paolo Rossi foi a sua terceira Copa do Mundo, mas sequer entrou em campo no México. No mesmo ano, atuando pelo Hellas Verona, Rossi encerrou sua carreira.

TÍTULOS DE ROSSI
Vicenza: Campeonato Italiano de Futebol - Serie B de 1977;
Juventus: Campeonato Italiano de Futebol - Serie A de 1982 e 1984; Copa da Itália de 1983; Recopa Europeia de 1984; Supercopa Europeia de 1984 e Copa dos Campeões da UEFA de 1985;
Seleção Italiana: Copa do Mundo de 1982

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