Kempes, “o melhor da copa” de 1978


A Argentina sediou a copa de 1978 depois de ficar namorando por cinco décadas esta oportunidade. Assim, o time Albiceleste teve a força de sua torcida e a estrela de um atacante camisa 10 para erguer a taça pela primeira vez. O Artilheiro demorou pra brilhar na competição, mas quando resolveu jogar foi o suficiente para ser considerado o melhor da Copa. Mario Alberto Kempes, na época jogador do Valência da Espanha, encantou a todos os amantes do futebol com sua maestria e gols em jogos decisivos.

#ARQUIVO COPA DO MUNDO
Por Rafael Buiar

A Copa do Mundo de 78 foi cercada de polêmicas, dentre elas o golpe militar na Argentina que deixou o presidente da Fifa, João Havelange, com um problema estratosférico nas mãos. O problema foi que general Jorge Videla iria usar o Mundial para encobrir o terror politico e minimizar a repressão aos povo argentino. Por isso, muitos protestos de outras seleções que iriam participar do torneio, mas Havelange soltou a seguinte frase: “O mundo terá a oportunidade de conhecer a verdadeira Argentina.”, palavras de um brasileiro.


Foto: tapornumporco
A competição teve o mesmo sistema da copa anterior, mas somente Holanda, Brasil e Argentina eram as favoritas para erguer a taça. A primeira por manter o elenco da edição anterior, mas sem o maestro Cruyff. O Brasil pela tradição em copas e a Argentina por ser sede. Mesmo assim, a anfitriã estava longe de ser um super time. Tinha ótimos jogadores como Fillol, Passarela, Ardiles e Kempes. Ainda por cima, o treinador Cesar Luis Menotti deixou de fora o que seria depois, o maior talento do país: Diego Maradona, com 17 anos.

Kempes no Mundial: Apesar de seu porte físico magro e frágil, Kempes era perfeito na sua habilidade e, principalmente, na sua velocidade. Características suficientes para o treinador Cesar Menotti convocar e depositar toda sua fé neste jogador para a Copa de 1978. Mas o início do jogador no Mundial não foi no mesmo nível que o da seleção, pois a primeira fase do atacante foi de atuação apagada, ou seja, sem gols. Mas como aquele velho dilema, o importante é o time vencer e classificar para a próxima fase. Foi assim que aconteceu, duas vitórias e apenas o revés contra a Itália, que terminou na liderança do grupo com três triunfos.

Na seca de gols, Kempes decidiu aceitar o conselho de Menotti, que disse: “O seu bigode traz azar, raspe ele para as próximas partidas.”. Supersticioso, Kempes aderiu o pedido do comandante. Desde então, foi só alegria para a seleção argentina e, principalmente, para o atacante Kempes. Com isso, a sua primeira apresentação boa do jogador foi no primeiro confronto da segunda fase diante a equipe da Polônia, em que Bertoni ergue a bola na área, e Kempes se antecipa a Szymanowski e cabeceia no canto direito. Não satisfeito, Kempes recebeu de Ardiles e driblou Maculewicz e bateu na saída do goleiro. Empolgada, a seleção da Argentina foi para o confronto diante o Brasil, mas Kempes não esteve no mesmo dia dos jogos anteriores e o placar ficou em 0 a 0.

Já o terceiro e último jogo do quadrangular da segunda fase foi o duelo mais polêmico da Copa e que gera burburinhos até os dias de hoje. Polêmico ou não, o ataque Albiceleste esteve inspirado, já que Argentina venceu por 6 a 0 a seleção do Peru, com dois de Kempes. O primeiro foi aos 21’, em que o atacante recebeu de Passarela, entrou pelo meio da área e tocou no canto esquerdo, na saída de Quiroga, abrindo o placar. O segundo do camisa dez aconteceu no primeiro minuto do segundo tempo, novamente em jogada iniciada com Passarela, que ergueu a bola na área para Kempes tabelar com Luque e em cima concluir com um peixinho, após o cruzamento do companheiro. Nessa altura do jogo, o placar apontava 3 a 0 e ainda faltavam mais três gols para o lado da argentina.

Foto: Divulgação
Com a mesma pontuação que a do Brasil, mas com um saldo maior de gols, a Argentina foi para finalíssima contra a Holanda, a vice campeã da copa  de 74. E novamente o craque Kempes foi fundamental para vitória do time Albiceleste. Sim, um confronto difícil e novamente polêmico. A primeira mudança no placar aconteceu aos 38’ da primeira etapa, em que Luque recebeu de Ardilles e tocou para Kempes na entrada da área. O camisa dez da Argentina dominou, passou de krol e Hann, e meio caído, chutou na saída do goleiro. Mas os 90’ do confronto terminaram em 1 a 1, resultado que levou a prorrogação.

Confronto equilibrado também depois dos 90',  mas no apagar das luzes da primeira etapa da prorrogação, Kempes apareceu mais uma vez. O atacante dominou na intermediária, escapou de carrinhos dos adversários, ganhou na dividida do goleiro holandês e tocou para o gol antes da chegada de Suurbie e Poortvliet. Mesmo a frente no placar na prorrogação, a seleção da argentina ampliou o placar, e claro, com participação de Kempes. Bertoni tabelou com o artilheiro argentino, que dominou com o braço, e rapidamente Bertoni chutou e marcou. Gol que decretou o primeiro título mundial da argentina, no Estádio Monumental.



Final de carreira na seleção da Argentina
No entanto, o atacante da camisa 10 da argentina de 78 foi chamado para a copa seguinte, mas a sua apresentação foi diferente da última copa. Além de apagadas as atuações nos embates, não marcou nenhum gol sequer. Atributos que foram suficientes para não convocar mais para a Copa do Mundo de 1986, no México.

Seleção
- Copa do Mundo: 1978

Clubes (Valencia e River Plate)
- Recopa Européia: 1979-1980
- Supercopa da Europa: 1980
- Copa do Rei: 1978-1979
- Campeonato Argentino: 1981

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