Johan Cruyff "o melhor da Copa" de 1974



Quatro anos depois de 1970, a décima edição da Copa do Mundo foi realizada na Alemanha pela primeira vez, já que em 1942 ocorreu a oportunidade de ser sede, mas a Segunda Guerra Mundial atrapalhou e cancelou os planos da realização do torneio.  Na Copa de 74 foi a competição que brilhou um holandês, considerado hoje o maior jogador da holanda de todos os tempos e a copa que teve um dos melhores elenco do escrete laranja, o famoso "Carrossel holandês". Mesmo não sendo a campeã daquele edição, os amantes do futebol puderam comemorar com o futebol produzido por aquele carrocel e principalmente pelo futebol de Johannes Cruiff, que foi o melhor da copa de 1974. (Foto: synergy-sponsorship)

Por Rafael Buiar

Foto: GETTY IMAGES

No ano de 1972, a Alemanha já respirava competições de grande porte, pois a cidade de Munique recebeu a Olimpíada. Talvez esse evento foi o grande motivo da realização da Copa do Mundo na Alemanha dois anos depois e com várias inovações, em relação a competição anterior. 

A Copa de 74 apresentou uma nova taça, já que a Jule Rimet ficou em definitivo com o tricampeão, o Brasil, e também surgiram inúmeros acertos publicitários depois da paradinha de Pelé amarrando o cadarço da chuteira (Puma) na final contra a Itália. 

O regulamento também foi diferente, pois a segunda fase não teve mata-mata. Dos quatros grupos de quatros times, classificaram os dois primeiros de cada grupo para outro grupo de quatro. Assim, só os campeões dos dois grupos disputaram a finalíssima.

Além dessas novidades, a Copa na Alemanha teve surpresas de esquadrões. Um exemplo que deve ser notado foi a seleção do Haiti que desbancou o México. A outra é do continente europeu, que já surpreendia desde a eliminatória europeia, a Holanda. O caminho da então, chamada Carrossel Holandês, classificou-se sem ser atacada por seus adversários. Foram quatro vitórias e dois empates, os dois contra a Bélgica. A Campanha já era visível que seria a melhor geração da história deste país, um fato que comprova é que neste período de 70 a 74, a Liga dos Campeões foi conquistada por clubes holandeses

Classificada com folga para a Copa do Mundo de 74, no esquadrão da Holanda havia um atleta que se destacou mais neste percurso e que fez história durante o torneio. A dedicação e o vigor físico resumem em uma frase dita pelo próprio atleta, “Eu costumava jogar 85 minutos para o time e cinco para mim.”, (Johannes Cruiff). O atacante de origem corria todos os cantos, marcando, driblando e armando, mesmo sendo caçado pelos rivais. Foi assim, com essas características que o meia-atacante do Barcelona, na época, foi o melhor da Copa do Mundo de 1974 sem se quer ter sido campeão do torneio.

O mestre do contra-ataque: É de considerar que o holandês Cruyff foi uma síntese do futebol moderno. A sua caminhada no mundial de 74 já foi visível logo na estréia, contra os uruguaios, mas com uma participação “singela”. A origem do primeiro gol partiu de seus pés, já que tocou para Suurbier, que cruzou no bico da área para Rep se antecipar do zagueiro e cabecear para o gol. Passado o empate com a Suécia em 0 a 0, veio o último jogo da primeira fase contra Bulgária. Diga-se de passagem, um verdadeiro show de Cruyff. 

O espetáculo iniciou com sua queda dentro da área, pênalti. Neesken cobrou e converteu a penalidade. No terceiro gol da partida, Cruyff que também entendia de bola parada, cruzou para a área e o goleiro búlgaro afastou mal e Rep fez mais um na competição. Para fechar a conta, o quarto gol também teve a sua participação, pois novamente com um cruzamento, De Jong mergulhou e guardou a bola no canto esquerdo do goleiro. 

A segunda fase que teve seu regulamento diferente da edição anterior, já teve confrontos de titãs no primeiro duelo. Holanda versus Argentina, combate recheado de emoções. Claro, Cruyff novamente fez um espetáculo. Partida que também aconteceu o primeiro gol do holandês na competição. O camisa 14 recebeu um passe de Van Hangom dentro da área e sem marcação, driblou o goleiro e tocou para as redes. Mas o gol não acalmou o meia atacante, pois minutos depois Cruyff deu mais uma assistência para Rep completar em gol. Por fim, fechou a goleada com mais um gol. 

No confronto seguinte contra a Alemanha Oriental, Cruyff passou em branco, mas de certa forma ajudou a equipe laranja vencer por 2 a 0. No último jogo da segunda fase, o embate foi contra a Seleção Brasileira e Cruyff foi fundamental para o triunfo. Na primeira etapa, o meia atacante holandês cruzou na medida para  Neesken abrir o marcador. Quinze minutos depois, a consagração de Cruyff na competição aconteceu quando fez o segundo gol sobre o Brasil. 



Na finalíssima, o “Carrossel Holandês” não foi pareô para vencer os donos da casa e conquistar pela primeira vez o título de campeão mundial. Derrota que foi sentida pela seleção da Holanda, e principalmente, por Cruyff que citou a famosa frase: "A Alemanha não ganhou a Copa do Mundo. Nós a perdemos". Mas a equipe da Holanda não voltou de mãos vazias para a casa, pois o meio campista Cruyff foi considerado o melhor jogador da Copa de 1974, mesmo sem erguer a nova taça. Fato que só tinha acontecido há 20 anos, com Púskas (Hungria).



TÍTULOS
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-Ajax
Campeoanto Neerlandês: 1965-66, 1966-67, 1967-68, 1969-70, 1971-72, 1972-73, 1981-82 e 1982-83.
Copa dos Países Baixos: 1966-67, 1969-70, 1970-71, 1971-72 e 1982-83.
Copa dos Campeões da Europa: 1970-71, 1971-72 e 1972-73.
Copa Intercontinental: 1972.
Supercopa Europeia: 1972 e 1973.

-Barcelona
Campeonato Espanhol: 1973-74.
Copa do Rei: 1977-78.

-Feyenoord
Campeonato Neerlandês: 1984.
Copa dos Países Baixos: 1984.



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