A profissionalização do Futebol Amador


O futebol amador está cada vez mais semelhante ao futebol profissional no estado do Paraná. O jornalista Augusto Travensolli, de Ponta Grossa, escreveu sobre o assunto para o Do Rico ao Pobre. Confira!

#FUTEBOL AMADOR

O futebol amador, que tem por sua essência varzeana, está cada vez mais profissional. Isso se dá a organização que é dada aos campeonatos municipais e em alguns casos o pagamento de salários para alguns atletas. Mas afinal, o que é Futebol Amador, e o que diferencia ele do esporte profissional? As regras e organizações são as mesmas do esporte profissional. Mas se difere na forma em que os jogadores não são remunerados para a prática do esporte e encaram a atividade como hobbie. 

Foto: diariodoscampos.com.br

Para as ligas municipais terem uma estrutura forte e um campeonato disputado, é necessária uma arrecadação, pois sem verba não há como organizar um torneio razoável. Em Ponta Grossa é cobrada uma taxa de mensalidade de R$ 60,00 dos clubes filiados à liga para a manutenção do esporte. O presidente da Liga de Futebol Amador de Ponta Grossa, César Roberto Pitela, explica quais são esses custos no município. “Arrecadamos em média R$ 600,00 dos clubes filiados e não recebemos apoio da prefeitura. Com esse arrecadamento, nós pagamos telefone, material de expediente, xerox e abastecimento do carro.”


Atualmente, há cada vez mais uma exigência para que o Amador seja mais estruturado. A Federação Paranaense de Futebol, só reconhece como ligas filiadas, municípios que em seus campeonatos possuem categorias de base, o que dificulta cidades menores a serem credenciadas as federações. Entre três municípios, Londrina, Cascavel e Ponta Grossa, hoje só a liga de Londrina está filiada a Federação Paranaense de Futebol.




“A liga tem que ter o campeonato sub-17, se a liga não tiver o campeonato a equipe não vai pra Taça Paraná, é uma determinação da Federação. Por Exemplo, tem 16 equipes no Amador e aparece 10 equipes com sub-17, não tem validade nenhuma, cada equipe tem que ter o sub-17 e ele é um campeonato oficial e registrado na federação.” Explica o vice-presidente da Liga de Futebol Amador de Ponta Grossa Romildo de Freitas.


A Taça Paraná e a Federação Paranaense de Futebol
Ponta Grossa, hoje está desfiliada da Federação Paranaense de Futebol, assim como Cascavel. E com esse rompimento é impedida de participar da Taça Paraná de Futebol Amador, que é o Campeonato Paranaense do esporte, organizado pela Federação. Mas apesar de ser impedido oficialmente esse ano, o município, não envia nenhum representante ao campeonato desde 2008, quando naquela ocasião foi representado pelo clube de Santa Paula. A Taça Paraná de 2013, teve apenas quatro equipes participantes.

O jornalista esportivo Cândido Neto, comenta que estar desfiliado da federação é desmotivante para as equipes. “Um desprestígio muito grande, não só pro futebol amador, mas pra toda a cidade. É muito triste, porque ai você tem um campeonato em que o campeão da cidade vai querer ser campeão, porque sabe se for campeão vai participar da Taça Paraná e com essa desfiliação isso não vai mais ocorrer e então isso desmotiva as equipes.”


Ponta Grossa, oferece o campeonato sub-17, que é exigência da Federação para participar da Taça Paraná, mas nem todas as equipes possuem escolinhas e conseguem ter recursos suficientes para manter times nos campeonatos dos meninos. Com isso, optou-se esse ano pela desfiliação da liga, para poder fazer um Campeonato com o máximo de equipes possíveis.

O Presidente da Federação de Futebol, Hélio Cury, enxerga o Futebol Amador no estado entrando em uma nova fase. “Após anos de abandono e inoperância por quem o administrava estamos trabalhando com ligas que possuem alto grau de comprometimento e organização em suas competições. Este número tende acrescer cada vez mais no decorrer dos próximos anos. Sempre deixamos claro que prezamos a qualidade e não a quantidade de filiados junto a FPF.”

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