Garrincha, "o melhor da copa" de 1962

Depois de 12 anos, a Copa do Mundo retornou ao continente da América do Sul. Desta vez, Chile foi o país escolhido. Já que as duas sedes anteriores foram no velho continente. Nesta edição, brilhou um jogador de pernas tornas que usava a camisa sete, que em 1958 consagrou-se campeão, mas teve que esperar mais quatros anos para tornar o "melhor da Copa".

#ARQUIVO COPA DO MUNDO

Por Rafael Buiar

A sétima edição do torneio mais tradicional do mundo foi marcada pelos desafios da época. Dias antes do torneio, um terremoto destruiu cidades, piorando a estrutura do país. O saldo foi trágico, houve pelo menos cinco mil mortes e dois milhões pessoas desabrigadas. Devido a isso, muitos acreditavam que o país não dispunha de muitos recursos para a reestruturação e receber a Copa de 1962. O dirigente Carlos Dittborn foi um dos responsáveis para que o torneio acontecesse em seu país, mesmo com as dificuldades apontadas. Ele garantiu que não abriria mão da organização e dizia que o fato de o país tentar sobreviver a uma tragédia nacional serviria de estímulo para o povo. " Porque não tempos nada, faremos tudo!", entoava. 

Esse enstusiasmo e determinação de Dittborn geraram resultados e a Copa no Chile em 1962 foi realizada normalmente, com quase tudo novinho em folha. Em compensação, com a bola dentro do campo, as expectativas não eram muito boas para a equipe chilena. Eles não eram os favoritos, diferente das seleções da Inglaterra e do Brasil, que levou a base campeã do primeiro título mundial, em 1958. Dentro dela, estava Mané Garrincha, que figurou de forma extraordinária e foi considerado o melhor jogador desta competição.

Mané Garrincha, o anjo das pernas tortas: A contusão de Pelé no segundo jogo do torneio contra a extinta Tchecoslováquia, em que o Brasil venceu por 3 a 0, foi fundamental para a segunda conquista do mundial. A partir desta lesão, a seleção Brasileira teve outro craque que brilharia nos gramados chilenos, e não usava a camisa 10, mas sim a camisa sete e se chamava Manoel Francisco dos Santos, conhecido como Mané Garrincha. Com a classificação em jogo, a vitória no terceiro jogo da primeira fase era crucial para a sequência da competição. Com isso, a estrela de Garrincha começou a brilhar. Na hora que mais precisava dele, ele chamou a ‘responsa’ e contribuiu. Um exemplo foi o jogo contra a Espanha, do reverenciado Púskas e Cia., em que a equipe espanhola saiu na frente no placar, mas depois, com ótima apresentação de Amarildo e Mané, o Brasil virou e se classificou em primeiro no grupo. 

Classificado, o próximo duelo do time brasileiro era contra a ‘seleção da Rainha’, os ingleses. Duelo que foi considerado como o melhor de Garrincha até aquele momento. Com sua tradicional jogada, driblando na ponta, armando no meio, passando na esquerda, Mané foi surpreendendo. Desta vez, em uma cobrança de falta, que o goleiro inglês rebateu e Vavá aumentou a diferença no placar. Na sequência, o camisa sete ampliou para 3 a 1. Resultado que fizeram os ingleses dizer: “Não perdemos para o Brasil, perdemos para Garrincha.”


Com uma ótima repercussão depois do confronto das quartas de final, o próximo jogo era contra os donos de casa, os chilenos, os quais, até então, só tinham perdido para a Alemanha Oriental, na primeira fase. Devido a isso, o clima para a Semi-final contra o Brasil, era de guerra. Para Garrincha pouco importava esta definição, pois, neste dia, o ponta-direita estava inspirado e fez os dois primeiros gols da Seleção Brasileira. Mas, de tanto apanhar, revidou e foi expulso.

Foto: reliquiasdofutebol
A princípio, Garrincha não deveria jogar a final contra a Tchecoslováquia, porém, o jogador do Botafogo conseguiu, no “tapetão”, uma “liminar” para estar entre as quatro linhas. Como nos outros jogos, Manoel Francisco jogou bem, nem a febre que tinha neste dia fez com que mudasse sua atuação em campo. Muitos dizem que a Copa de 1962 pode ter sido sua melhor apresentação com a camisa amarela, já que nos anos posteriores, passou a se perder na batalha contra bebida.

TÍTULOS

Pelo Botafogo
-Torneio Intercontinental de Clubes-FRA: (1963)
-Torneio Rio – São Paulo: (1962 e 1964)
-Campeonato Carioca: (1957, 1961 e 1962)
-Torneio Quadrangular do Rio de Janeiro: (1954)
-Torneio Internacional da Colômbia: (1960)
-6º Torneio Pentagonal do México:(1962)
-Torneio Governador Magalhães Pinto: (1964)
-Torneio Jubileu de Ouro da Associação de Futebol de La Paz (1964).
-Torneio Quadrangular do Suriname: (1964)

Pelo Corinthians
-Rio-São Paulo: (1966)

-Pela Seleção Brasileira
-Copa do Mundo FIFA: (1958)
-Copa do Mundo FIFA: 1962)
-Taça Bernardo O’Higgins: (1955, 1959 e 1961)
-Taça Oswaldo Cruz: (1958, 1961 e 1962)
-Copa Rocca: (1960)



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